Quem jogou Detroit: Become Human provavelmente se lembra de uma das perguntas que mais incomodam durante a campanha: “em que momento uma máquina deixa de ser apenas uma máquina?”
Ao longo da história, os androides demonstram emoções, tomam decisões próprias e, principalmente, passam a reagir ao mundo como se estivessem vivos.
Durante muito tempo, isso pareceu pertencer exclusivamente ao campo da ficção científica… Mas talvez não por muito mais tempo.
Pesquisadores de diferentes universidades já desenvolveram peles eletrônicas capazes de detectar toque, pressão, temperatura e até identificar quando um robô sofreu um dano que exigiria uma reação imediata.
Não, eles ainda não sentem dor como nós, mas já conseguem reconhecer quando algo está “machucando” seu corpo.
E isso muda muita coisa.
Detroit talvez tenha chegado cedo demais

Uma das maiores qualidades de Detroit: Become Human nunca foi mostrar robôs fortes; foi mostrar robôs sensíveis.
Connor, Kara e Markus não apenas enxergam o ambiente; eles tocam, percebem, reagem e, claro, tomam decisões baseadas nessas experiências.
Curiosamente, a robótica moderna está caminhando exatamente nessa direção.
Durante décadas, engenheiros se preocuparam em fazer robôs mais rápidos, mais fortes e mais inteligentes.
Agora surgiu outro desafio: fazer robôs perceberem o próprio corpo.
A pele eletrônica já existe

Nos últimos anos, pesquisadores criaram diferentes versões da chamada e-skin (“pele eletrônica”).
Ela é composta por sensores extremamente finos e flexíveis capazes de identificar pressão, calor, deformações e diversos tipos de contato.
É como se o robô deixasse de apenas “ver” o mundo e passasse também a “senti-lo”.
Dessa forma, esse tipo de tecnologia pode ser utilizado em robôs humanoides, próteses inteligentes e até equipamentos médicos.
No entanto, o avanço mais impressionante veio recentemente.
Quando um robô “sente dor”
Pesquisadores desenvolveram uma pele robótica inspirada no sistema nervoso humano.
Sendo assim, em condições normais, ela funciona como qualquer sensor de toque.
Mas, quando detecta uma força acima de um determinado limite (algo que poderia causar danos ao robô), ela envia um sinal de emergência diretamente para os motores, fazendo o membro se afastar quase instantaneamente.
Parece familiar?
Pois é… É exatamente o que acontece quando encostamos a mão em uma panela quente.
Na maioria das vezes, retiramos a mão antes mesmo de perceber conscientemente a dor.
Isso acontece porque o reflexo é controlado inicialmente pela medula espinhal, enquanto o cérebro “recebe a notícia” alguns instantes depois.
Nos robôs, o princípio é parecido: a reação acontece antes mesmo que um computador central analise completamente a situação.
Mas… isso é realmente dor?
Aqui existe uma diferença enorme.
Quando dizemos que um robô “sente dor”, estamos usando uma simplificação.
afinal, ele não sofre, não sente medo, nem experimenta desconforto.

O que existe é um sistema capaz de reconhecer situações potencialmente perigosas e reagir rapidamente para evitar danos.
Sendo assim, é muito mais parecido com um reflexo automático do que com a dor humana, mas esse é justamente o primeiro passo.
O próximo desafio não é inteligência
É consciência.
Criar uma inteligência artificial capaz de conversar já deixou de ser algo extraordinário; criar robôs capazes de andar também.
O novo desafio da robótica é desenvolver máquinas que consigam perceber o próprio corpo e interagir com o ambiente de maneira intuitiva.
Quanto mais sensores esses robôs recebem, mais naturais se tornam suas interações.
É por isso que muitos pesquisadores acreditam que a pele eletrônica será tão importante para os robôs do futuro quanto as câmeras e a inteligência artificial foram para os robôs da última década.
Detroit talvez não estivesse falando sobre robôs
Quando Detroit: Become Human foi lançado, muita gente acreditou que a história era apenas sobre inteligência artificial.
Talvez nunca tenha sido; talvez o jogo sempre tenha falado sobre algo muito mais profundo: o momento em que uma máquina deixa de apenas executar comandos… e começa a perceber o mundo ao seu redor.
Ainda estamos muito longe de Connor desenvolver emoções ou Markus liderar uma revolução.
Mas uma coisa já aconteceu: pela primeira vez, robôs começaram a desenvolver algo que lembra um dos mecanismos mais importantes da nossa sobrevivência: a capacidade de perceber quando estão sendo machucados.
E talvez seja justamente aí que a ficção científica comece, mais uma vez, a deixar de ser apenas ficção.
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