Se você cresceu ouvindo o barulho metálico da transformação ecoando na TV aberta, então prepare-se: o espírito dos policiais do espaço voltou. E voltou com ambição.
Décadas após o fim da trilogia clássica formada por Uchuu Keiji Gavan, Uchuu Keiji Sharivan e Uchuu Keiji Shaider, e depois de filmes revival que reacenderam a chama da nostalgia e do estilo Metal Hero, 2026 marca oficialmente o início de uma nova fase com Super Space Sheriff Gavan Infinity (超宇宙刑事ギャバン インフィニティ, Chō Uchū Keiji Gyaban Infiniti; Super Detetive Espacial Gavan Infinity).
Mas não se engane: isso não é apenas um retorno. É uma reinvenção estratégica.
| Título: Super Detetive Espacial Gavan Infinity |
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| Ano de Produção: 2026 |
| Dirigido Por: Hirofumi Fukuzawa |
| Estreia: 16 de Fevereiro de 2026 |
| Duração: 23 minutos por episódio |
| Classificação: Livre |
| Gênero: Tokusatsu |
| País de Origem: Japão |
| Sinopse:Há vários mundos espalhados pelo multiverso e em um deles, conhecido como “MultiTerra Α0073”, há forte onda de crimes envolvendo a “Emorgia”; seres vivos de energia. Reiji Doki é um investigador da Polícia Federal Galática, assim, sendo Gavan Infinity que irá investigar os crimes envolvendo a Emorgia se deparando com outros Gavans de outros universos para deter o mal |
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O Fim de uma Era… e o Nascimento de Outra
Produzida pela Toei Company e exibida pela TV Asahi, a nova série inaugura oficialmente o ambicioso projeto chamado PROJECT R.E.D. (Records of Extraordinary Dimensions).
Esse projeto representa algo histórico: pela primeira vez em décadas, a Toei reposiciona sua estrutura de heróis televisivos, tradicionalmente sustentada por Kamen Rider e Super Sentai, para abrir espaço a uma nova linha contínua de protagonistas vermelhos interdimensionais.
E o primeiro escolhido para carregar essa responsabilidade foi justamente o herói que iniciou a lendária Metal Hero Series.
Não é Reboot. Não é Continuação. É Evolução.
Gavan Infinity não é uma sequência direta da série de 1982. Também não ignora o passado. Ele reconstrói o conceito.
Enquanto o Gavan clássico combatia a organização criminosa Makuu sob a Polícia Federal Galáctica, a nova série expande a mitologia para um multiverso composto por várias Terras paralelas, cada uma com sua própria estrutura de defesa espacial.
O protagonista, Reiji Doki, é um investigador interdimensional capaz de atravessar realidades para combater uma ameaça energética chamada Emorgia, uma força que se alimenta de emoções humanas extremas e assume formas monstruosas adaptadas ao contexto psicológico de cada universo.
Ou seja: não estamos mais falando apenas de invasão alienígena. Estamos falando de distorção emocional como combustível narrativo.
O Episódio 1: Metal, Silêncio e Impacto
O primeiro episódio estabelece o tom de forma surpreendentemente madura.
Abertura: Ecos do Passado
A série começa com um plano espacial silencioso — destroços flutuando no vazio. Um narrador menciona a fragmentação das dimensões. Não há fanfarra nostálgica exagerada. Há respeito.
Logo somos apresentados a Reiji, que investiga uma anomalia energética em Tóquio. A direção aposta em fotografia mais fria e urbana, contrastando com o brilho cromado clássico. Há um tom leve em contraste com personagens cômicos, e uma perseguição.
A Primeira Transformação
E então acontece.
A sequência de transformação mantém a essência metálica icônica, mas modernizada com efeitos digitais refinados e impacto sonoro mais pesado. A armadura Infinity não é apenas prateada — ela possui linhas energéticas vermelhas pulsantes, reforçando a identidade do PROJECT R.E.D.
É fan service? Sim. Mas é feito com dignidade.
Temos algumas gears claramente feitas para vender brinquedos, bem caricatas. Dentre a sua equipe, temos uma androide ao estilo de Anri (Jaspion).
O primeiro episódio deixa claro que Reiji Doki é um policial sério e competente, mas pouco valorizado dentro da própria corporação. Mesmo sendo o Gavan Infinity, ele trabalha em um setor que os outros consideram sem importância. O que quase ninguém sabe é que sua verdadeira missão é investigar casos de emolgia — uma energia perigosa que pode atravessar dimensões e colocar o universo em risco. Ou seja, ele faz um trabalho muito maior do que aparenta, mas nem todos percebem isso.
A ida para outra dimensão e a mudança de rumo
A história ganha força quando Reiji segue um surto de emolgia até a Multiterra Lambda 8018. Lá ele encontra Setsuna Aikokuin, líder de uma unidade especial que cuida da ordem naquele mundo. A série já apresenta o conceito de multiverso logo no primeiro episódio. Algumas pessoas acharam isso empolgante, porque já mostra o diferencial da série. Outras acharam que foi rápido demais, pois quase não houve tempo para conhecer melhor o mundo inicial antes de expandir para outras dimensões.
Ação e efeitos visuais
As cenas de luta foram bastante elogiadas. A armadura parece pesada de verdade, os sons metálicos ajudam na imersão e os efeitos digitais funcionam bem na maior parte do tempo. Existem críticas pontuais a alguns efeitos, mas no geral o episódio agradou visualmente e deixou vontade de continuar assistindo.
Emorgears e a questão moral
Os emorgears, que usam energia ligada às emoções, também chamaram atenção. Algumas pessoas gostaram da ideia e da ligação com crimes envolvendo emolgia. Outras preferem esperar para ver se o conceito será bem desenvolvido ao longo da série. O episódio sugere uma mensagem simples: o problema não é a tecnologia em si, mas como ela pode ser usada de forma errada, causando violência e perigo para todos.
O Conflito
O monstro da semana não surge apenas como criatura física. Ele se manifesta a partir da frustração coletiva de pessoas que sentem que “foram deixadas para trás”. A Emorgia assume forma instável, quase glitchada — um reflexo da fragmentação dimensional.
Aqui, admito que observei o primeiro vilão (o humano do qual suas emoções trariam o monstro da semana) como um tanto familiar: o ator parece uma versão jovem de Hiroshi Watari (que foi o Sharivan clássico). Pode ser apenas coincidência, mas, vale um pequeno parênteses.
O combate é mais coreografado e menos teatral que os anos 80. Há peso. Há impacto. E há uma cena particularmente simbólica: quando Gavan Infinity corta o inimigo, a energia liberada não explode — ela se dissipa como névoa, sugerindo que o conflito não foi totalmente resolvido.
Um detalhe importante: o episódio termina insinuando que existem outros Gavans em outras dimensões, incluindo versões alternativas como “Gavan Bushido” e “Gavan Luminous”. Ou seja: o multiverso não é conceito de fundo. É a espinha dorsal.
Conexões com Sharivan e Shaider
Até o momento, a série não conecta diretamente as versões clássicas de Sharivan e Shaider à nova linha do tempo.
Porém… A própria estrutura de múltiplas realidades abre caminho para que versões reinterpretadas — ou até mesmo os heróis originais — apareçam futuramente como variantes dimensionais.
A Toei não confirmou crossovers, mas deixou pistas visuais sutis no primeiro episódio, como um símbolo parcialmente destruído que lembra o emblema da antiga Polícia Galáctica.
Coincidência? Em tokusatsu, raramente é.
O Peso da Responsabilidade
Existe algo emocionalmente forte aqui.
O Gavan original foi o pioneiro da estética metálica que marcou uma geração. Ele estabeleceu um padrão visual que influenciou inúmeras produções posteriores.
Agora, quarenta e poucos anos depois, a Toei tenta algo ousado: não apenas homenagear, mas transformar o legado em base para um universo expansivo.
Se PROJECT R.E.D. funcionar, poderemos ver novas séries conectadas, eventos interdimensionais e talvez uma reformulação moderna da era Metal Hero sob um novo guarda-chuva narrativo.
O Veredito do Primeiro Episódio
– Visual moderno sem abandonar o DNA metálico
– Protagonista mais introspectivo
– Multiverso como estrutura narrativa sólida
– Combate estilizado com peso dramático
– Respeito ao passado sem depender exclusivamente dele
O episódio 1 não tenta ser nostálgico o tempo todo. Ele tenta ser relevante. E isso, para uma franquia que poderia facilmente viver apenas de memória afetiva, é extremamente corajoso.
Gavan Infinity não quer ser apenas “o retorno do herói de 82”. Ele quer inaugurar uma nova geração de heróis interdimensionais.
Se vai conseguir o mesmo impacto cultural do original? Ainda é cedo para dizer.
Mas uma coisa é certa: o metal voltou a brilhar. E dessa vez, ele reflete infinitas possibilidades.
