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CAIRN | Confira nossa review

CAIRN
Ficha Técnica
Desenvolvido por: The Game Bakers
Publicado por: The Game Bakers
Gênero:: Aventura
Série:CAIRN
Lançamento: 29 de janeiro de 2025
Classificação indicativa: 14 anos
Modos: um jogador
Disponível para: PC, PS5 e Xbox Series S|X

 

CAIRN é um jogo que não tenta te vencer pelo espetáculo. Ele prefere o silêncio, o esforço e a concentração. Aqui não existe pressa, não existe trilha bombástica te empurrando pra frente e muito menos um mundo feito para te agradar. O desafio é simples de explicar e difícil de dominar: escalar. E é impressionante como algo aparentemente tão minimalista consegue ser tão intenso.

História

CAIRN não conta uma história tradicional. Não há diálogos longos, personagens carismáticos ou reviravoltas narrativas. A narrativa existe quase inteiramente na experiência. Você é um alpinista encarando uma montanha imensa, hostil e indiferente à sua presença.

O jogo trabalha com a ideia de jornada pessoal. Cada tentativa, cada queda e cada pequeno avanço contam mais do que qualquer texto explicativo. A montanha não se importa com seus objetivos, e essa indiferença acaba se tornando o ponto central da narrativa.

É uma história sobre persistência, fracasso e superação silenciosa. Pode parecer pouco para alguns, mas para quem entra na proposta, funciona muito bem.

Jogabilidade

A jogabilidade é o grande destaque de CAIRN. Escalar não é apertar um botão e assistir a animação. Cada movimento exige leitura do terreno, posicionamento preciso e controle do corpo do personagem.

O jogo transforma a escalada em um verdadeiro quebra-cabeça físico. Escolher onde colocar a mão, quando mover o pé e como distribuir o peso faz toda a diferença. Um erro pequeno pode significar perder vários minutos de progresso.

No começo, a curva de aprendizado é dura. O jogo não explica tudo de forma mastigada e espera que você aprenda errando. Isso pode afastar jogadores mais impacientes, mas também é o que torna cada conquista tão satisfatória.

Progressão

A progressão em CAIRN é quase totalmente baseada em habilidade do jogador. Não há sistemas tradicionais de upgrades, níveis ou equipamentos que facilitem drasticamente a vida. Você progride porque fica melhor jogando.

Com o tempo, você aprende a ler melhor a rocha, a antecipar movimentos e a manter a calma em situações de risco. Essa evolução é real e perceptível, tanto mecânica quanto mentalmente.

Por outro lado, a ausência de recompensas tangíveis pode frustrar quem espera desbloqueios constantes ou sensação clara de poder crescente. Aqui, o progresso é interno.

Gráficos

Visualmente, CAIRN aposta em um estilo minimalista e realista. A montanha é o grande personagem do jogo, com texturas simples, mas extremamente funcionais para a leitura do terreno.

A direção de arte usa bem cores, iluminação e enquadramento para transmitir escala e solidão. Em vários momentos, você para não por beleza gratuita, mas porque precisa respirar antes do próximo movimento.

Não é um jogo que impressiona tecnicamente, mas é extremamente coerente com sua proposta. Tudo ali existe para servir a jogabilidade.

Trilha sonora

A trilha sonora é discreta e, muitas vezes, inexistente. O som ambiente assume o protagonismo, com vento, respiração e pequenos ruídos que reforçam a tensão.

Quando a música aparece, é de forma sutil, quase tímida, servindo mais para acompanhar o estado emocional do jogador do que para guiar a experiência. Jogar com fone de ouvido faz muita diferença. É um trabalho sonoro que entende o poder do silêncio e sabe quando não interferir.

CAIRN: Vale ou não a pena?

CAIRN vale a pena para quem busca uma experiência diferente, focada em mecânica pura, concentração e superação pessoal. É um jogo que exige paciência, atenção e disposição para falhar várias vezes.

Não é recomendado para quem gosta de ação constante, recompensas rápidas ou narrativas explícitas. Aqui, tudo é conquistado com esforço.

No fim, CAIRN é menos sobre chegar ao topo e mais sobre o caminho até lá. Um jogo silencioso, desafiador e profundamente honesto, que transforma cada metro escalado em uma pequena vitória pessoal.


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