Avatar: Fogo e Cinzas (o terceiro filme da franquia) mostra Jake Sully e Neytiri lidando com o luto pela perda de seu filho mais velho, enquanto enfrentam uma nova e perigosa tribo Na’vi, o Povo das Cinzas, um clã vulcânico e agressivo, que ameaça desequilibrar Pandora e levar a família Sully ao limite para defender seu lar e o futuro do seu povo

| Título: Avatar: Fogo e Cinzas |
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| Ano de Produção: 2025 |
| Dirigido Por: James Cameron |
| Estreia: 19/12/2025 |
| Duração: 3 horas e 17 minutos |
| Classificação: 14 anos |
| Gênero: Épico, Drama, Aventura |
| País de Origem: Estados Unidos |
| Sinopse: O conflito em Pandora aumenta quando Jake e Neytiri encontram uma nova e agressiva tribo Na’vi. |
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Continuando um Épico
“Avatar: Fogo e Cinzas” chega com a responsabilidade de dar continuidade à épica e emocional jornada dos Na’vi… e, infelizmente, entrega mais peso do que profundidade. Desde a primeira cena, a nova produção de James Cameron deixa claro que este é um filme sobre luto, trauma e o custo humano, e não humano, do ciclo interminável de violência. O problema é que, no processo, o filme também se torna em alguns momentos maçante, arrastado e cansativo, mesmo para espectadores acostumados a longas sessões de Pandora.
A trama coloca Spider no centro das transformações. Vivendo com a família de Jake Sully, dependente de uma máscara de oxigênio, ele é levado de volta a uma área onde poderia respirar normalmente. Porém, esse deslocamento é interrompido por um ataque do novo grupo antagonista, o Povo das Cinzas, uma tribo rival cuja líder reforça o conceito mais interessante, e pouco explorado, do filme: as armas dos “seres dos céus” corrompem a alma de quem as usa.
Spider chega a “morrer” temporariamente, mas é ressuscitado por uma combinação de esporos e raízes durante um ritual Na’vi, algo que altera sua fisiologia e o permite respirar o ar tóxico sem máscara. É uma boa ideia, com potencial de expandir mitologia… mas como grande parte do filme, acaba subaproveitada.
Visuais Deslumbrantes
Cameron aposta novamente no vislumbre sensorial, algo que funcionava muito bem nos dois primeiros filmes, porém aqui o excesso de contemplação e a longa duração tornam a experiência exaustiva. É um filme que funcionaria melhor se dividido em episódios para streaming, já que a progressão narrativa lembra mais uma minissérie do que um longa coeso.
As cenas de ação são intensas e frenéticas, mas espaçadas por longos períodos de pouco avanço dramático. O conflito central escancara a dificuldade de quebrar ciclos de violência entre tribos, um dos raros acertos temáticos. Contudo, para cada boa ideia, há uma execução arrastada.
Os efeitos visuais, historicamente o ponto mais forte da franquia, aqui decepcionam um pouco. O CGI parece estagnado, muitas vezes caindo no temido “vale da estranheza”, lembrando produções como Beowulf. Não há o salto tecnológico esperado, e isso pesa, especialmente porque o 3D também não impressiona tanto quanto deveria.
Cultura Moral
A parte cultural e moral é o destaque positivo: Cameron constrói bem as divergências entre os Na’vi e os valores humanos de Jake Sully, além de introduzir novas tribos. Porém, no fim das contas, o filme ainda carrega aquela sensação de “Pocahontas com Smurfs no espaço”, agora expandida, mas não aprofundada.
É um filme feito para um público muito específico: pessoas com paciência, tempo e paixão pela estética de Pandora. Para o espectador médio, e até para parte da crítica, “Fogo e Cinzas” será um teste de resistência. Mesmo na cabine de imprensa, era evidente como alguns jornalistas achavam o tempo passando rápido… enquanto outros, como eu, lutavam contra pálpebras pesadas diante do ritmo monótono.
Ainda assim, o final deixa ganchos para continuações já anunciadas, inclusive o quinto filme. Há material para explorar, mas também fica o alerta de uma franquia presa em sua própria grandiosidade. Admito estar curioso pela continuidade, mas, torço para que consiga ter um ritmo melhor entre as cenas.
Avatar: Fogo e Cinzas: Vale a Pena?
Minha nota para Avatar: Fogo e Cinzas: 6/10, e isso sendo generoso pelo impacto moral e cultural que o filme tenta entregar, mesmo tropeçando levemente no caminho. Vale ver no cinema pelos efeitos visuais, mas, é recomendado estar bem descansado antes, para não perder nenhuma cena.