Optimus Prime já enfrentou Megatron, Unicron e até a montagem dos filmes de Michael Bay.
Entretanto, sua batalha mais recente começou quando o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos decidiu recrutá-lo, sem autorização, para uma campanha política produzida com inteligência artificial.
Imagens publicadas nas contas oficiais do órgão transformaram o líder dos Autobots em garoto-propaganda de ações relacionadas ao ICE, agência responsável pela fiscalização migratória.
A Hasbro respondeu publicamente e deixou claro que aquela versão de Optimus não saiu de Cybertron com sua bênção.
O DHS tentou recrutar um Autobot
Uma das peças imitava um cartaz cinematográfico e transformava Transformers: Age of Extinction em Transformers: Age of Deportation. Na imagem, Optimus aparecia com o símbolo do DHS e uma identificação do ICE sobre a armadura.

A publicação do departamento promovia denúncias relacionadas a possíveis irregularidades em carteiras de motoristas comerciais. Contudo, a apropriação da franquia não terminou nesse trocadilho que Megatron provavelmente recusaria por falta de sutileza.
Outra imagem colocava o Autobot diante de um homem sikh e usava “Mr. Singh” numa mensagem sobre deportação e suposta incapacidade para dirigir.
Organizações indianas e sikhs classificaram a peça como racista e xenófoba, especialmente porque Singh é um sobrenome compartilhado por milhões de pessoas, não a identidade de um único alvo. Após a repercussão, a postagem foi retirada.
A Hasbro ativou o modo resistência
Em seu “posicionamento oficial, a Hasbro afirmou que as publicações foram produzidas sem permissão e não representam a empresa nem a marca Transformers.

A companhia também lembrou que Optimus Prime simboliza humildade, liderança, compaixão e justiça. Em outras palavras, alguém aparentemente escolheu o robô vermelho e azul pela popularidade, mas esqueceu de consultar sua ficha de personagem.
A resposta evita apoiar diretamente qualquer grupo político, porém estabelece uma fronteira bastante clara: transformar Optimus num símbolo de deportação contraria os valores associados ao personagem há mais de quatro décadas.
A imagem é artificial, a apropriação é real
O caso mostra como a inteligência artificial generativa facilitou a produção de propaganda com personagens conhecidos, mesmo quando seus proprietários não autorizaram o uso.
Basta escrever algumas instruções para fabricar um cartaz convincente, enquanto consentimento, direitos autorais e coerência temática continuam exigindo um recurso tecnológico aparentemente raríssimo: bom senso.
Conforme destacou a Entertainment Weekly, esta não foi a primeira vez que a administração norte-americana utilizou propriedades da cultura pop em conteúdos políticos. Pokémon, Star Wars e Superman também já apareceram em publicações governamentais ou ligadas à Casa Branca.
Uma ferida aberta na voz dos Autobots

A controvérsia ocorreu apenas duas semanas após a morte de Peter Cullen, intérprete histórico de Optimus Prime. Durante quatro décadas, o ator ajudou a construir a imagem de um líder poderoso cuja principal virtude não era esmagar inimigos, mas ser “forte o bastante para ser gentil”.
Por enquanto, a Hasbro não anunciou processo, pedido de indenização ou outra medida jurídica contra o governo norte-americano. Até a publicação da reportagem da Entertainment Weekly, o DHS também não havia respondido ao posicionamento da empresa.
Optimus Prime sempre se transformou para proteger os outros. O DHS tentou transformá-lo em outra coisa, e a Hasbro rapidamente apertou o botão de reversão. Afinal, a inteligência artificial pode copiar o metal, as cores e até o caminhão, mas ainda não aprendeu a gerar autorização nem a fazer xenofobia parecer heroica.
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