Anima Gate of Memories: I&II Remaster | Confira nossa review

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Anima: Gate of Memories I & II Remaster reúne dois dos jogos mais ambiciosos do estúdio espanhol Anima Project em uma coleção definitiva. Essa nova edição traz melhorias gráficas, combate refinado e suporte às plataformas modernas, sem perder o charme melancólico e místico que tornou a franquia uma das experiências mais diferentes do gênero.

História

A coletânea inclui dois títulos interligados: Gate of Memories e The Nameless Chronicles. O primeiro segue a jornada de uma jovem sem nome, conhecida apenas como “A Portadora”, e de uma criatura amaldiçoada chamada Ergo Mundus. Juntos, eles exploram o misterioso mundo de Gaia em busca de respostas sobre seu passado e o destino da humanidade. Já o segundo jogo acompanha o ponto de vista do “Sem Nome”, um ser imortal que luta para encontrar propósito em um ciclo interminável de vida e morte.

As duas histórias se complementam de forma interessante, revelando diferentes camadas desse universo cheio de simbolismos e conflitos espirituais. É um mundo que combina temas religiosos, filosofia e fantasia sombria. A narrativa ainda mantém um estilo mais enigmático, com diálogos poéticos e uma forte presença de dilemas morais. Mesmo que algumas partes soem confusas ou excessivamente expositivas, há um charme autêntico em tentar compreender os fragmentos de memória e as visões do passado.

O ponto forte está no contraste entre as duas campanhas. Enquanto a primeira foca na dualidade entre controle e liberdade, a segunda mergulha em introspecção e culpa. É uma narrativa que não precisa ser grandiosa para ser cativante, e mesmo com suas limitações, ainda consegue transmitir emoção.

Jogabilidade

O combate é o coração de Anima. Ambos os jogos seguem a fórmula de um RPG de ação em terceira pessoa, misturando combos rápidos, magias e esquivas em arenas que lembram uma versão minimalista de Devil May Cry. A principal diferença no remaster é o refinamento. Os controles estão mais responsivos, as animações mais suaves e o sistema de alternância entre personagens, especialmente no primeiro jogo, flui de maneira mais natural.

A movimentação também foi aprimorada, tornando a exploração mais agradável. Os cenários são compostos por áreas interconectadas que funcionam como pequenas dungeons, cada uma com seus inimigos, segredos e desafios de plataforma. Há uma boa variação entre combate e exploração, o que mantém o ritmo interessante.

Por outro lado, a estrutura dos mapas ainda pode parecer um pouco vazia em certos momentos, e a câmera continua sendo um dos pontos mais problemáticos, especialmente durante batalhas mais intensas. Mesmo assim, o combate é divertido e recompensador quando dominado.

Sistemas de progressão

Os dois jogos compartilham um sistema de progressão simples, mas eficiente. A cada inimigo derrotado, você ganha pontos de experiência que podem ser usados para desbloquear habilidades em árvores distintas, permitindo criar estilos de luta mais voltados para magia, ataque físico ou técnicas híbridas.

Além disso, há equipamentos e artefatos especiais que concedem bônus e alteram o comportamento das habilidades, incentivando o jogador a experimentar combinações diferentes. O remaster ajustou o balanceamento desses elementos, tornando a evolução mais fluida e menos dependente de grind.

Apesar de funcional, o sistema não é muito profundo. Ele cumpre o papel de dar variedade, mas quem busca uma progressão complexa pode achar limitado. Ainda assim, o jogo recompensa a curiosidade, e revisitar áreas antigas com novas habilidades é sempre satisfatório.

Aspectos técnicos e artísticos

Visualmente, a remasterização faz um bom trabalho em modernizar o que antes parecia datado. As texturas estão mais nítidas, os efeitos de iluminação melhoraram e os modelos dos personagens ganharam mais definição. O estilo artístico continua sendo o maior destaque. Há algo muito pessoal na direção de arte de Anima: os cenários misturam arquitetura gótica com toques surrealistas, e a paleta de cores varia de tons frios e melancólicos a brilhos etéreos durante as batalhas.

A trilha sonora mantém o tom atmosférico e introspectivo da série. As faixas instrumentais reforçam o mistério e a solidão de cada ambiente, e as vozes dos personagens continuam bem interpretadas, mesmo que algumas atuações pareçam um pouco rígidas. Em termos de performance, o remaster roda com estabilidade na maioria das plataformas, embora pequenas quedas de frame ainda possam acontecer em áreas mais abertas.

Vale a pena jogar?

Anima: Gate of Memories I & II Remaster é uma daquelas coletâneas que resgatam o espírito de um estúdio independente cheio de ambição. Mesmo com suas imperfeições, o pacote é uma boa oportunidade para conhecer um universo rico em ideias e ambientação. É um jogo para quem gosta de ação estilizada, histórias misteriosas e uma atmosfera mais sombria.

Se você busca um RPG de ação grandioso, com orçamento e polimento de um AAA, talvez não seja o ideal. Mas se o que te atrai são experiências diferentes, com identidade e um toque poético, Anima entrega algo especial. Os dois títulos juntos formam uma jornada completa, cheia de emoção, boas lutas e momentos de reflexão.

No fim, o remaster cumpre o que promete. Ele não reinventa o que já existia, mas refina e valoriza o que havia de melhor. E para quem nunca jogou, essa é definitivamente a melhor forma de conhecer o mundo de Anima.