Andor | Confira nossa crítica (Com Spoilers)

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“Sem o uso da Força” e dos Jedi, Andor se tornou a melhor série de Star Wars já produzida.

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Ficha Técnica
Título: Andor
Ano de Produção: 2022
Dirigido Por: Ben Caron, Susanna White e Toby Haynes
Estreia: 21 de setembro de 2022
Duração: 500 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Ação e Ficção Científica
País de Origem: Estados Unidos 
Sinopse: Cinco anos antes dos acontecimentos de “Rogue One”, o espião rebelde Cassian Andor (Diego Luna) tem várias aventuras durante a Rebelião, passando por missões desafiadores para restaurar a esperança na galáxia contra o Império.

 

Diferentemente dos filmes e séries de Star Wars, em que o foco são a Força e os Jedi, Andor, em resumo, enfatiza naquele quem verdadeiramente sofreu com a ascensão do Império de Palpatine: o povo. Sim, é verdade que os filmes até mostram um pouco das consequências do Império, mas perceba que sempre foi de forma ampla, como um mero pano de fundo.

Em Andor, os sofrimentos são explanados de forma incisiva trazendo questões muito mais complexas do que a reles luta do bem contra o mal. Aliás, isso me remeteu a um episódio de Clone Wars, em que Padmé levou Ahsoka a conhecer uma amiga que era separatista e isso fez com que a padawan de Anakin Skywalker compreendesse que nem tudo se resume ao lado sombrio e ao lado da luz. Ou seja, há um meio termo diante dessa dicotomia.

Andor trata desse lado cinzento de forma excepcional quando descaracteriza, logo no primeiro episódio, a figura do mocinho do seu personagem principal. Aqui, não há códigos de condutas capazes de inibir a morte do seu oponente.

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A propósito, Cassian Andor não tinha a intenção de ser um herói da Aliança Rebelde. Na verdade, o que se vê na série da Disney+, são os diversos fatores que moldaram o capitão que vemos em Rogue One. E que show foi a interpretação de Diego Luna, em seu Andor, hein?!

Continuo ao dizer que um dos memoráveis enredos, nessa primeira temporada, é a sequência em que o personagem é preso e passa mais de um ano na prisão. Mostrando que para o Império de Palpatine, tanto faz os dias em que você está sentenciado. E isso pode ser em um período de seis meses ou seis anos. O que ocorre na realidade é um verdadeiro depósito de pessoas, no qual somente se movem os peões de lugar. E, isso acendeu, ainda mais, a chama do espírito rebelde de Andor.

Além disso, a série traz dois discursos extraordinários e dignos de um excelente roteiro:

No primeiro discurso, temos um revolto e magnífico Kino Loy (interpretado brilhantemente por Andy Serkis), instigando os prisioneiros a se rebelarem e, por fim, se livrarem daquela prisão imperial. Que aliás, em junção com a cena pós-crédito, foi uma verdadeira explosão de cabeças.

Afinal, quem diria que Cassian, ainda que forçadamente, tenha contribuído indiretamente para a construção da Estrela Morte, a arma que ele ajudou a destruir no final de Rogue One. Uma sacada extremamente feliz dos roteiristas que amarrou os acontecimentos da série, brilhantemente, com os filmes da saga.

Já o segundo discurso foi dito por Maarva Andor (outra bela performance de Fiona Shaw), que deixou gravado antes da sua morte, com o adorável, ansioso e carismático B2EMO, aumentando ainda mais a faísca do fogo da rebelião. A sequência é tão bonita, que não tem como não se emocionar com o povo de Ferrix se revoltando contra os seus opressores. Aqui, eu atrevo a dizer que o meme mudou para “esse enterro virou uma festa!”.

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O que nos mostra a perspectiva vulnerável do Império Galáctico, uma vez que o seu único poderio é o bélico e a sua razão de ser é por meio da opressão e medo. Quando se rompe essa barreira, só vemos guardas se escondendo de uma multidão feroz, lutando por liberdade.

Outro tema bastante abordado na série, e que intensifica no decorrer da trama, é o sacrifício. Toda a decisão remete a sacrifícios, como família, status, conforto e vida, muito bem trabalhados na situação da Senadora Mon Mothma (Genevieve O’Reilly), com a sua família e do sermão de Luthen Rael (Stellan Skarsgård), a um infiltrado rebelde que não queria mais fazer parte da missão.

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Veja bem! Andor mostra que não tem como você se rebelar nos dias úteis e aos finais de semana, tirar uma folga. A decisão em fazer parte da rebelião é algo maior e que pode trazer graves consequências. Não é à toa que o próprio Cassian diz: “mate-me ou acolha-me”. Afinal, só há realmente duas escolhas!

O visual de Andor, também, é impactante! Aquilo que senti falta em Obi-Wan Kenobi, no que se refere à contemplação do cenário e fotografia, tão marcantes em Star Wars, ganha total perfeição nessa série. As imagens são belíssimas e as mudanças de frames são bem trabalhadas e devidamente pensadas, tornando-se orgânicas para quem assiste.

E o que falar das cores utilizadas nas imagens e o seu significado?! É evidente que todas as cores que envolvem o Império são extremamente frias e rígidas, remetendo ao branco, azul ou preto. Agora, quando estamos falando de Ferrix ou da própria roupa dos prisioneiros, percebemos que as cores usadas sempre são mais quentes, como o vermelho e o laranja, este típico do uniforme da própria Aliança Rebelde (seria uma referência?!).

Veredicto: Andor

Criada para ter 24 capítulos, com duas temporadas, Andor é a melhor série de Star Wars já vista, até o momento. Em razão dos temas extremamente relevantes do que a reles luta do lado sombrio contra o lado da luz, a série consegue retomar a esperança dos fãs da saga, por produções cada vez melhores. E o mais irônico nisso tudo é que, em nenhum momento, se vale do “uso da Força” ou dos Jedi, características tão marcantes da franquia.

É uma série extremamente democrática e que pode encantar até mesmo quem não é fã do universo criado por George Lucas. Afinal, Star Wars é muito mais complexo do que uma simples briga entre “navinhas”.

Até mais, e Obrigado pelos Peixes!

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