A geração que cresceu esperando respostas à beira de um píer acaba de perder um de seus rostos mais emblemáticos.
James Van Der Beek, ator eternizado como Dawson Leery em Dawson’s Creek, morreu aos 48 anos nesta semana. A informação foi confirmada pela família.
Ele enfrentava um câncer colorretal diagnosticado nos últimos anos. E de repente, aquela trilha sonora dos anos 90 parece tocar um pouco mais baixa.
O garoto que virou símbolo de uma geração

No final dos anos 1990, Dawson’s Creek não era apenas uma série adolescente. Era um fenômeno cultural. E no centro dela estava James Van Der Beek, o jovem sonhador apaixonado por cinema, introspectivo, dramático e dono de discursos que pareciam saídos direto de um roteiro de festival indie.
Sendo assim, Dawson era intenso, vulnerável e, às vezes, excessivamente filosófico. Mas era exatamente isso que o tornava real.
Para muitos, James não era apenas um ator. Ele era o rosto da adolescência tardia, das paixões complicadas e das conversas existenciais à beira do lago.
Muito além de Dawson
Embora o papel em Dawson’s Creek tenha sido o mais marcante, James Van Der Beek construiu uma carreira sólida no cinema e na televisão.
Ele soube rir de si mesmo quando necessário, inclusive participando de produções que faziam referência ao seu status de galã teen dos anos 90. Essa capacidade de autocrítica e reinvenção o manteve relevante muito além da era dos pôsteres colados no quarto.
Relembre sua trajetória
Ademais, o ator construiu uma carreira que foi muito além do drama adolescente. Do galã sensível ao personagem que satiriza a própria fama, ele mostrou versatilidade ao longo dos anos.
Televisão
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Dawson’s Creek (1998–2003) – Dawson Leery
Jovem aspirante a cineasta, romântico incurável e emocionalmente intenso. Dawson era o centro do drama adolescente da série, sempre dividido entre amizade, amor e sonhos cinematográficos. -
Don’t Trust the B—- in Apartment 23 (2012–2013) – Ele mesmo (versão fictícia)
Aqui, Van Der Beek surpreendeu ao interpretar uma versão exagerada e sarcástica de si próprio, satirizando sua imagem de astro teen dos anos 90. -
CSI: Cyber (2015–2016) – Elijah Mundo
Agente do FBI especializado em crimes cibernéticos, mostrando um lado mais maduro e sério em uma série procedural de investigação. -
Pose (participação especial)
Interpretou um personagem inserido no universo da cena ballroom nova-iorquina dos anos 80, ampliando sua presença em produções dramáticas contemporâneas. -
How I Met Your Mother (participação especial)
Fez uma aparição pontual que dialogava com sua imagem de galã romântico, reforçando o carinho do público pela sua fase nostálgica.
Cinema
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Varsity Blues (1999) – Jonathan “Mox” Moxon
Quarterback substituto que assume a liderança do time de futebol americano em meio a conflitos com o treinador autoritário. Um dos papéis mais populares de sua fase jovem no cinema. -
Texas Rangers (2001)
Jovem integrante de uma força policial no Velho Oeste, em uma produção com pegada histórica e de ação. -
The Rules of Attraction (2002) – Sean Bateman
Universitário envolvido em relações intensas e caóticas, em um drama ácido baseado na obra de Bret Easton Ellis. -
Labor Day (2013)
Participação em drama estrelado por Kate Winslet, ampliando sua presença em produções de tom mais adulto e intimista. -
Bad Hair (2020)
Atuou em um thriller com elementos de terror satírico ambientado no universo da televisão, mostrando abertura para gêneros diferentes.
Pois é… Ao longo da carreira, James transitou entre drama adolescente, comédia autorreferente, ação e suspense, provando que não era apenas “o Dawson”, mas um ator disposto a se reinventar.
A luta fora das telas
Infelizmente, nos últimos anos, James vinha enfrentando o câncer colorretal. Ele chegou a compartilhar publicamente momentos de sua batalha, mantendo postura serena e focada na família.
Casado e pai de seis filhos, sempre destacou que sua prioridade era a vida pessoal.
E talvez esse seja o legado mais silencioso e poderoso: o de alguém que entendeu que o sucesso não se mede apenas por audiência.
Um adeus que parece cena final
Há algo poético (e cruel) na ideia de que o ator que interpretou um personagem obcecado por cinema tenha tido uma despedida que parece roteiro de drama indie.
Mas o que fica não é o fim.
Ficam os episódios maratonados nas madrugadas, os debates eternos sobre Joey, Pacey e Dawson, bem como a trilha sonora que marcou uma geração.
James Van Der Beek não foi apenas um galã dos anos 90, ele foi o protagonista de uma era.
E para muita gente, ele sempre será o garoto olhando o horizonte, acreditando que a próxima cena poderia mudar tudo.
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