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A Odisseia | Confira nossa crítica


Christopher Nolan acaba de provar que adaptar um dos maiores clássicos da literatura não era ousadia suficiente.

Era preciso fazer isso, conquistar a crítica mundial… e ainda deixar um detalhe martelando na cabeça de quem saiu do cinema.

A Odisseia estreou cercada por expectativas gigantescas. Afinal, estamos falando do diretor de Interestelar, A Origem e Oppenheimer colocando as mãos no poema épico de Homero, uma obra que influencia a cultura ocidental há quase três mil anos.

O resultado? No momento da publicação desta matéria, o longa ostentava impressionantes 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, tornando-se o filme mais bem avaliado da carreira de Christopher Nolan no agregador de críticas.

Um feito e tanto para um diretor que já coleciona sucessos. Mas bastou abrir algumas análises para perceber uma coincidência curiosa.

Quase todo mundo elogia o filme; quase todo mundo faz a mesma observação no final.

E é justamente aí que a conversa começa.

Antes de tudo: qual é a história de A Odisseia?

Imagine ganhar uma guerra histórica… e descobrir que a parte mais difícil ainda estava por vir.

Depois da queda de Troia, o lendário guerreiro Odisseu (ou Ulisses, na tradição romana) só quer uma coisa: voltar para casa, reencontrar sua esposa Penélope e finalmente colocar os pés para cima.

Parece simples.

Só que o universo (ou melhor, os deuses da mitologia grega) claramente não recebeu esse memorando.

Dessa forma, o que deveria ser uma viagem de volta acaba se transformando em uma jornada repleta de desafios, criaturas lendárias, ilhas misteriosas, tempestades, tentações e decisões que colocam à prova não apenas a força do herói, mas também sua inteligência e sua capacidade de resistir às adversidades.

Mais do que uma aventura, A Odisseia é uma história sobre saudade, perseverança e o desejo quase universal de encontrar o caminho de volta para aquilo que realmente importa.

Não por acaso, o poema atribuído a Homero atravessou quase três mil anos inspirando livros, filmes, séries, jogos e inúmeras outras obras da cultura pop.

A boa notícia? Você não precisa decorar mitologia grega para aproveitar o filme de Christopher Nolan. Basta embarcar nessa viagem.

Ficha Técnica
Título: A Odisseia
Ano de Produção: 2025
Dirigido Por: Christopher Nolan
Estreia: 16 de julho de 2026 (Brasil)
Duração: 173 minutos (2h53min)
Classificação: 14 anos
Gênero: Épico, Ação, Fantasia
País de Origem: Estados Unidos e o Reino Unido
Sinopse: Após dez anos de sangrentos combates na Guerra de Troia, o astuto guerreiro Odisseu inicia uma perigosa viagem de retorno ao seu lar. Para reencontrar sua esposa Penélope e salvar seu reino, ele precisará liderar seus homens em um oceano traiçoeiro, enfrentando a fúria de deuses implacáveis, monstros colossais e tentações mitológicas que testarão os limites da resistência humana.

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Um elenco digno de uma epopeia

É fácil falar da grandiosidade de A Odisseia quando a conversa gira em torno das paisagens, da fotografia ou das sequências de ação. O mais interessante, porém, é perceber que toda essa estrutura só funciona porque Christopher Nolan reuniu um elenco capaz de dar vida a personagens que atravessam quase três mil anos de história.

Matt Damon nasceu para viver Odisseu

Matt Damon entrega uma atuação daquelas que parecem não exigir esforço. Seu Odisseu carrega o peso da guerra, da experiência e da inteligência estratégica sem precisar transformar cada cena em um grande espetáculo dramático.

Em vez de um herói invencível, vemos um homem marcado pelo tempo, cuja maior arma continua sendo a inteligência, exatamente como descreve o poema de Homero. É uma interpretação segura, madura e extremamente convincente.

Robert Pattinson continua calando os críticos

Se Matt Damon confirma sua grande fase, Robert Pattinson faz algo que já virou rotina: lembra por que deixou para trás, há muito tempo, o rótulo criado por Crepúsculo.

Depois de filmes como Bom Comportamento, O Farol, Tenet, Batman e Mickey 17, o ator entrega outro personagem intenso, ameaçador e cheio de personalidade. Seu Antínoo rouba a cena sempre que aparece, reforçando por que Pattinson se tornou um dos intérpretes mais respeitados de Hollywood.

Uma família que convence sem exageros

Tom Holland (Telêmaco) mostra mais uma vez que seu talento vai muito além do uniforme do Homem-Aranha.

Ao lado de Anne Hathaway (Penélope, esposa de Odisseu), constrói uma relação familiar extremamente natural. Mesmo em um filme que evita melodramas, os dois conseguem transmitir afeto, preocupação e esperança apenas por meio de pequenos gestos, olhares e silêncios.

É uma química que funciona justamente porque nunca parece forçada.

Até quem aparece pouco deixa sua marca

Mesmo com menos tempo em cena, Zendaya (Atena) mostra por que é um dos nomes mais disputados da indústria atualmente. Sua participação é breve, mas marcante.

Charlize Theron, como Calipso, entrega exatamente a presença magnética que a personagem exige. Não é apenas uma questão de beleza, embora ela esteja deslumbrante em cena, mas da autoridade e do fascínio que transmite a cada aparição.

Outro destaque é Eumeu, o fiel porqueiro. Sem recorrer a grandes discursos, o personagem emociona justamente pela simplicidade e pela lealdade, tornando-se um daqueles coadjuvantes que permanecem na memória muito depois da sessão terminar.

Um elenco estrelado do começo ao fim

E seria injusto resumir A Odisseia apenas aos personagens que mais aparecem em cena.

Christopher Nolan reuniu um elenco impressionante, recheado de atores consagrados que, mesmo com participações menores, ajudam a dar peso ao universo criado por Homero.

Nomes como Himesh Patel, Jon Bernthal, Lupita Nyong’o, Benny Safdie, Mia Goth, John Leguizamo, Corey Hawkins e Elliot Page, no papel do soldado grego Sinon, mostram o cuidado da produção em escalar intérpretes capazes de transformar até os personagens secundários em presenças marcantes.

O mesmo vale para figuras importantes da mitologia, como Menelau e Helena, que ganham interpretações seguras e contribuem para tornar aquele mundo ainda mais crível.

No fim das contas, o maior mérito de Nolan talvez não seja apenas reunir tantas estrelas em uma única produção, mas fazer com que nenhuma delas pareça estar ali apenas para “cumprir tabela”. Cada personagem tem espaço para existir, e isso faz com que A Odisseia pareça um verdadeiro épico povoado por pessoas e não apenas por celebridades.

Quando os monstros parecem ter saído direto da mitologia

Se existe uma preocupação recorrente quando Hollywood adapta histórias da mitologia grega, ela costuma ser a mesma: como transformar criaturas lendárias em algo convincente sem cair no exagero digital?

A boa notícia é que A Odisseia passa nesse teste com folga.

Sem entrar em spoilers, as criaturas e eventos sobrenaturais surgem com impacto suficiente para impressionar, mas sem quebrar a proposta mais realista que Nolan imprime à narrativa.

O encontro com o Ciclope entrega exatamente a sensação de grandiosidade e perigo que os fãs imaginavam. Já a famosa sequência envolvendo a transformação da tripulação é conduzida com um equilíbrio interessante entre fantasia e credibilidade visual, mostrando que os efeitos especiais estão a serviço da história e não o contrário.

As batalhas também merecem aplausos. Em vez de apostar apenas em cortes rápidos e explosões, Nolan privilegia a clareza da ação. O espectador entende onde cada personagem está, acompanha a estratégia dos confrontos e sente o peso de cada combate, algo que infelizmente tem se tornado cada vez mais raro nos blockbusters atuais.

Talvez seja justamente aí que mora a maior resposta às críticas sobre a suposta “distância emocional”.

Mesmo que Nolan não transforme cada diálogo em uma catarse sentimental, a emoção está presente o tempo inteiro na aventura. Ela aparece na tensão das batalhas, na imponência dos cenários, no suspense dos encontros com criaturas míticas e, principalmente, na constante sensação de que cada novo obstáculo representa mais um passo (ou mais um desvio) na longa viagem de volta para casa.

No fim, A Odisseia lembra que um épico não precisa fazer o espectador chorar a cada dez minutos para emocioná-lo. Às vezes, basta fazê-lo sentir que está viajando ao lado do herói.

98% de aprovação. Como reclamar de um filme desses?

Quando um longa alcança números como os de A Odisseia, a expectativa costuma ser encontrar uma unanimidade.

E, em grande parte, ela existe.

Críticos destacam a fotografia monumental, a trilha sonora de Ludwig Göransson, a direção de Christopher Nolan, a interpretação de Matt Damon e a sensação de estar diante de um daqueles filmes feitos para serem vistos na maior tela possível.

Não é exagero.

O diretor levou sua conhecida obsessão pela experiência cinematográfica a outro nível. A Odisseia foi o primeiro longa da história filmado inteiramente com a nova geração de câmeras IMAX, desenvolvidas justamente para atender às exigências da produção.

O resultado é uma escala visual que praticamente convida o espectador a esquecer que está sentado em uma poltrona de cinema.

E tudo isso sustentado por um elenco que parece uma reunião dos Vingadores de Hollywood: Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Zendaya, Robert Pattinson, Charlize Theron, Lupita Nyong’o, Jon Bernthal, Benny Safdie e Mia Goth dividem a tela em uma produção estimada em cerca de US$ 250 milhões.

Até aqui, parece consenso.

Mas…

Então por que tanta gente saiu dizendo praticamente a mesma coisa?

É curioso.

Você lê uma crítica. Depois outra. Mais uma.

E, mesmo escritas por jornalistas diferentes, em veículos diferentes, elas parecem convergir para uma observação semelhante.

Enquanto muitos classificam A Odisseia como grandiosa, hipnotizante e tecnicamente impecável, vários críticos comentam que Nolan mantém certa distância emocional da história, privilegiando a contemplação, a atmosfera e a escala épica em vez de uma abordagem mais sentimental dos personagens.

Não é uma crítica devastadora, muito menos um consenso negativo; é apenas uma impressão que apareceu com frequência suficiente para chamar atenção.

E talvez exista um motivo para isso.

Será que Nolan queria justamente essa sensação?

Sem entrar em spoilers, vale lembrar qual é o coração da história.

A Odisseia não acompanha apenas um guerreiro; ela acompanha um homem tentando voltar para casa.

É uma narrativa construída sobre tempo, distância, saudade, perseverança e tudo aquilo que se perde pelo caminho.

Talvez por isso Nolan escolha observar seu protagonista em vez de conduzir o público pela mão.

Em vez de transformar cada momento em um grande discurso emocional, ele parece confiar que a própria jornada fale por si (e que jornada, meus amigos!).

Se essa leitura estiver correta, aquela sensação de “distância” comentada por parte da crítica pode não ser uma falha, mas sim exatamente a experiência que o diretor queria provocar.

Afinal, poucos cineastas contemporâneos confiam tanto na inteligência do espectador quanto Christopher Nolan.

Não é um filme para assistir. É um filme para atravessar

Ademais, A Odisseia parece ter sido concebido menos como um blockbuster convencional e mais como um espetáculo cinematográfico.

Tudo foi pensado em escala máxima: as paisagens, a fotografia, o desenho de som, a utilização do IMAX, a trilha de Ludwig Göransson…

Não é apenas um filme bonito, é um filme que tenta fazer o espectador sentir o tamanho daquela jornada sem depender de explicações constantes ou de efeitos dramáticos exagerados.

Sendo assim, é uma experiência que aposta mais na imersão do que na pressa.

Quando até as críticas contam a mesma história… vale prestar atenção

Enfim, é raro ver críticos do mundo inteiro concordando sobre tantos aspectos de uma produção.

Mais raro ainda é perceber que eles também repetem praticamente a mesma observação. Mas talvez essa seja justamente a prova de que Christopher Nolan conseguiu algo incomum.

Ele não lançou apenas mais um blockbuster. Lançou um filme capaz de provocar debates — e, convenhamos, isso combina perfeitamente com um diretor cuja filmografia continua sendo discutida anos depois de cada estreia.

No fim das contas, talvez a maior qualidade de A Odisseia não seja apenas sua fotografia, seu elenco ou seus impressionantes 98% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Talvez seja fazer o público sair do cinema pensando. E isso eu garanto: saí da sessão refletindo sobre o filme por muito tempo.

É justamente aí que mora o único ponto que, para mim, impede A Odisseia de alcançar a nota máxima. Entendo perfeitamente por que parte da crítica enxergou um certo distanciamento emocional. Em alguns momentos, Nolan parece contemplar sua própria epopeia de longe, quando poderia aproximar um pouco mais o espectador de seus personagens.

Além disso, para um entusiasta da literatura homérica, encontramos muitas inconsistências na caracterização de diversos personagens, tanto fisicamente quanto psicologicamente, o que pode gerar certa “indignação” para quem assiste.

Também é válido salientar que muitas partes importantes da epopeia foram distorcidas ou encurtadas, como por exemplo, a passagem de Odisseia e seus soldados pela caverna de Polifemo, na qual ocorre o icônico diálogo entre o protagonista e o ciclope.

Ainda assim, mesmo com “erros” históricos, essa escolha nunca compromete a experiência enquanto espectador vendo a um filme. Pelo contrário: a emoção continua presente, só que em outro lugar. Ela está na grandiosidade da aventura, na tensão dos desafios e, principalmente, na constante vontade de ver Odisseu finalmente encontrar o caminho de volta para casa.

Por isso, minha nota é um sólido 9/10. Um filme tecnicamente impressionante, visualmente deslumbrante e que mostra em partes a essência da obra de Homero sem abrir mão da identidade de Christopher Nolan. Não é perfeito e talvez nem queira ser. Mas é, sem dúvida, uma experiência cinematográfica que merece ser vivida na maior tela possível.

E você? Já embarcou nessa viagem até Ítaca? Concorda com a nota ou teria dado um 10? Conte para a gente nos comentários!

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