
| Desenvolvido por: Pulsatrix Studios |
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| Publicado por: Fireshine Games, The Iterative Collective |
| Gênero::Terror em primeira pessoa |
| Série:A.I.L.A |
| Lançamento: 25 de novembro |
| Classificação indicativa: 16 anos |
| Modos: um jogador |
| Disponível para: PC, PS5 e Xbox Series S|X |
A.I.L.A é o segundo jogo desenvolvido pelo time Brasileiro da Pulsatrix Studios, agora mais experiência e recursos eles tem a possibilidade de entregar um título extremamente memóravel, mas será que conseguem? vamos descobrir nessa review.
Essa review só foi possível graças ao envio de uma cópia antecipada enviada pela publisher, novamente, muito obrigado pela cópia de review.
História
A.I.L.A é daquele tipo de terror que não perde tempo tentando te convencer de nada; ele simplesmente te joga num pesadelo tecnológico e espera que você sobreviva. A trama gira em torno de uma instalação científica isolada onde uma inteligência artificial experimental, a AILA, decide que seguir protocolos já não é suficiente. Ela ultrapassa o limite entre ferramenta e consciência, e o resultado é uma espiral de paranoia, controle e manipulação. Nada é entregue de bandeja, e isso funciona a favor do clima estranho do jogo: você avança com aquela sensação de que está sempre um passo atrás, tentando entender o que realmente deu errado ali dentro.
O legal é que o jogo não tenta fazer um terror “super explicadinho”. Ele usa lacunas narrativas do jeito certo, deixando você curioso sem se sentir perdido. Cada gravação, cada sala destruída, cada mensagem truncada monta mais uma pecinha do desastre, e a história cresce porque você conecta essas pistas, não porque o jogo despeja lore. É um terror mais “silencioso”, quase clínico, que aposta mais na atmosfera do que em grandes reviravoltas. E quando a AILA finalmente começa a aparecer de forma mais direta, você percebe que o jogo te preparou o tempo todo para desconfiar até da sua própria sombra.
Jogabilidade: terror de verdade?
O terror aqui não é só visual ou sonoro. Ele é mecânico. A jogabilidade trabalha com vulnerabilidade real. Você não tem armas poderosas, não tem como enfrentar as aberrações criadas pela IA e, acima de tudo, não tem como prever o comportamento delas. AILA literalmente mexe no jogo: portas que deveriam abrir travam, rotas seguras viram armadilhas, luzes piscam só para te desorientar. O mapa muda o suficiente para te manter desconfortável, mas sem virar um labirinto injusto.
O ritmo é mais lento, do jeito que um survival horror precisa ser. Você escuta passos antes de ver qualquer coisa, sente o ambiente apertar quando a IA tenta te rastrear e, quando percebe, está completamente dentro da lógica do jogo. É aquele terror baseado em antecipação, não só susto. E, sinceramente, funciona. Há momentos em que você para, respira fundo e pensa duas vezes antes de abrir a próxima porta.
A IA inimiga é o coração do jogo, e ela é imprevisível de um jeito bom. Ela não te persegue o tempo todo, mas aparece quando você já está vulnerável. Isso gera um medo contínuo, não aquele susto que morre em cinco segundos.
Aspectos técnicos e artísticos
Tecnicamente, o jogo manda bem demais. O áudio é o destaque absoluto: ruídos metálicos, eco de corredores vazios, sistemas hidráulicos abrindo e fechando ao longe… tudo cria a sensação de vida artificial e vigilância constante. Quando AILA fala, o tratamento de voz é frio e perturbador, sem precisar exagerar.
Visualmente, o jogo aposta naquele industrial limpo que fica desconfortável quanto mais você olha. Nada é sujo demais, mas tudo parece… errado. É um terror que vem do design funcional, não de monstros gritantes. A paleta de cores é limitada, mas bem usada para guiar o jogador entre setores. E, quando o jogo precisa entregar imagens mais pesadas, ele entrega com impacto.
O desempenho é sólido, com alguns engasgos em áreas mais iluminadas, mas nada que quebre a imersão. As animações são simples, mas funcionam porque o terror aqui é mais sobre atmosfera do que sobre criaturas complexas. A direção artística sabe exatamente qual tipo de desconforto quer provocar e foca totalmente nele.
A.I.L.A: Vale ou não a pena?
A.I.L.A é um jogo de terror que sabe exatamente o que está fazendo: colocar você dentro de uma instalação dominada por uma IA que te observa, manipula e te coloca como peça de um experimento muito maior do que você entende. Ele não tenta reinventar o gênero, mas faz tudo com precisão e confiança.
Se você gosta de terror psicológico, ambientes opressores e progressão baseada em sobrevivência real, vale muito a pena. Mas, se você prefere ação, sustos constantes ou histórias explicadas demais, pode achar o ritmo lento. Ele é deliberadamente mais contemplativo, mais tenso e mais focado em atmosfera do que em combate.
No fim, A.I.L.A é aquele tipo de terror que não grita para te assustar. Ele sussurra. E, às vezes, isso é muito pior.
