Uma esponja carnívora que captura suas vítimas com ganchos, criaturas com aparência alienígena e um polvo que parece ter escapado de um filme de terror. As recentes expedições oceânicas mostram que a natureza não precisa de Hollywood para criar monstros.
Pois é, Davy Jones pode começar a atualizar o currículo. Enquanto Hollywood investe milhões em efeitos especiais para criar criaturas aterrorizantes, cientistas continuam encontrando animais que parecem ter escapado diretamente de Subnautica, Alien ou dos pesadelos de H. P. Lovecraft.
E o elenco das profundezas acaba de crescer.
Em outubro de 2026, o projeto Ocean Census divulgou a identificação de 57 novas espécies marinhas e cinco novos gêneros, resultado de um trabalho científico realizado em julho com amostras coletadas principalmente durante uma expedição ao cânion submarino de Mar del Plata, na Argentina.
A novidade se soma a outras descobertas recentes. Em junho, pesquisadores anunciaram 31 espécies identificadas em águas internacionais próximas ao Brasil. Já uma expedição ao Oceano Austral revelou, em 2025, uma criatura que mereceria um papel de destaque em qualquer filme de terror: uma esponja carnívora apelidada de bola da morte.
Aparentemente, a natureza decidiu lançar sua própria franquia de monstros.
A bola da morte: quando Bob Esponja vira o vilão

Esqueça a Fenda do Biquíni. Nas profundezas do Oceano Austral, pesquisadores encontraram uma esponja que faria Bob Esponja pedir demissão do Siri Cascudo.
Identificada como uma nova espécie do gênero Chondrocladia, a criatura possui formato aproximadamente esférico e apresenta pequenos ganchos utilizados para capturar presas. Diferentemente da maioria das esponjas, que filtram partículas suspensas na água, ela é carnívora.
O exemplar foi encontrado a aproximadamente 3.601 metros de profundidade, durante uma expedição realizada nas proximidades das Ilhas Sandwich do Sul.
O apelido “bola da morte” parece ter saído diretamente do catálogo de inimigos de Dark Souls. Entretanto, seu comportamento não envolve perseguir mergulhadores ou engolir submarinos. Os ganchos funcionam como armadilhas para pequenos animais.
É praticamente uma armadilha medieval em versão submarina.
Loki abandonou Asgard e foi morar no Atlântico

Thor provavelmente não estava preparado para essa notícia.
Entre as espécies identificadas no trabalho científico divulgado em outubro está um pepino-do-mar do gênero Peniagone, apelidado de Loki por apresentar estruturas semelhantes a chifres.
O animal foi encontrado a 2.577 metros de profundidade, no cânion submarino de Mar del Plata. Embora sua aparência lembre o famoso Deus da Trapaça, esse Loki prefere uma existência bastante diferente daquela apresentada pela Marvel.
E não foi a única surpresa da expedição. Os pesquisadores também identificaram novas espécies de crustáceos e corais, além de outros equinodermos. O trabalho revelou o quanto ainda desconhecemos sobre os habitantes do Atlântico Sul.
Enquanto isso, Loki segue vivendo nas profundezas, aparentemente sem nenhum interesse em conquistar Nova York.
O verdadeiro pesadelo de Subnautica

Imagine explorar um oceano completamente escuro e encontrar uma criatura de corpo gelatinoso, com braços extremamente longos e uma aparência que desafia qualquer tentativa de identificar onde ela começa ou termina.
Parece uma descrição retirada de Subnautica, mas estamos falando de animais reais.
Em julho de 2026, o Schmidt Ocean Institute anunciou que uma expedição realizada no Atlântico registrou duas raras lulas-de-barbatana-grande, pertencentes ao gênero Magnapinna.
Esses animais são conhecidos pelos braços e tentáculos extraordinariamente compridos, que criam uma silhueta bastante diferente daquela apresentada pelas lulas mais familiares.
A mesma expedição também obteve as primeiras imagens de uma espécie pouco conhecida de peixe de olhos tubulares, ampliando os registros visuais da fauna oceânica.

É importante esclarecer que as lulas observadas não representam necessariamente espécies novas. A novidade está nos registros obtidos durante a expedição e nas informações que eles podem oferecer aos pesquisadores.
Afinal, encontrar um monstro desconhecido é impressionante. Conseguir observá-lo em seu próprio ambiente também é.
Alien pode esperar: a natureza já criou suas próprias criaturas
As descobertas realizadas em águas próximas ao Brasil acrescentaram outros personagens a esse bestiário.
Entre as 31 espécies identificadas estavam águas-vivas, ctenóforos, sifonóforos e organismos unicelulares gigantes. Alguns desses animais apresentam corpos gelatinosos, transparência e formas que parecem contrariar tudo o que esperamos encontrar em uma criatura viva.
Os sifonóforos, por exemplo, são organismos coloniais compostos por unidades especializadas que trabalham de maneira integrada. Embora possam lembrar águas-vivas, sua organização biológica é bastante diferente.

Já os ctenóforos utilizam fileiras de estruturas semelhantes a minúsculos pentes para se locomover. O movimento dessas estruturas pode produzir efeitos luminosos iridescentes, como se alguém tivesse instalado iluminação RGB em um organismo marinho.

E pensar que Hollywood precisa contratar uma equipe inteira para produzir efeitos parecidos.
O oceano ainda guarda seus chefões secretos
O aspecto mais impressionante dessas descobertas não está apenas na aparência das criaturas. Está no fato de que continuamos encontrando espécies desconhecidas em um planeta que habitamos há milhares de anos.
A escuridão, as pressões extremas e a escassez de alimento favoreceram o desenvolvimento de adaptações que parecem saídas da ficção científica. Entretanto, cada estrutura extravagante possui uma função relacionada à sobrevivência.
A esponja carnívora não desenvolveu ganchos para protagonizar um filme de terror. Os sifonóforos não se organizaram em colônias para imitar criaturas alienígenas. E a lula-de-barbatana-grande certamente não está preocupada em impressionar os jogadores de Subnautica.
Somos nós que enxergamos monstros onde a evolução encontrou soluções.
Enquanto aguardamos a próxima criatura aterrorizante dos cinemas, os pesquisadores continuam explorando regiões oceânicas pouco conhecidas.
Talvez o verdadeiro Kraken nunca tenha existido. Mas, considerando o que a ciência vem encontrando, Davy Jones deveria pensar duas vezes antes de mergulhar no próprio território… E ela aparentemente não conhece limites de orçamento.
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