Batman, Harry Potter, Bob Esponja e o capitão Kirk estão mais perto de dividir o mesmo endereço corporativo… Só não dá para soltar os créditos finais ainda.

A FCC, agência que regula as comunicações nos Estados Unidos, autorizou formalmente a estrutura de participação estrangeira ligada à compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount.

A decisão, publicada em 17 de setembro de 2026, remove uma barreira importante para a operação de US$ 110 bilhões. Porém, o verdadeiro “chefão” do jogo mudou de fase e a fusão segue congelada por um processo antitruste liderado por 12 estados americanos e pelo sindicato de roteiristas (Writers Guild of America).

Quase metade do dinheiro vem de fora. O controle, não

Como a Paramount controla emissoras de televisão licenciadas (como a CBS), a legislação americana exige o aval da FCC sempre que investidores estrangeiros pretendem deter mais de 25% de participação indireta.

Com a aprovação do órgão, a nova estrutura prevê que investidores internacionais fiquem com 49,5% do capital da companhia combinada. Desse total, 38,5% vêm de três fundos soberanos do Oriente Médio:

    • 15,1% com o Public Investment Fund, da Arábia Saudita;
    • 12,8% com um fundo ligado a Abu Dhabi;
    • 10,6% com a Qatar Investment Authority.

Apesar do forte investimento externo, essas ações serão da Classe B (sem direito a voto). O controle total (ações Classe A) permanecerá 100% nas mãos da família Ellison e da RedBird Capital Partners.

Traduzindo para o idioma dos quadrinhos: muita gente ajudou a financiar a Batcaverna, mas as chaves continuam com os mesmos donos

O catálogo parece crossover feito por fã

Se o negócio cruzar a linha de chegada, a Paramount comprará 100% da Warner Bros. Discovery.

Franquias como Game of Thrones, Harry Potter, DC, Missão: Impossível, Top Gun, Star Trek e Bob Esponja passarão a coexistir no mesmo conglomerado.

Sob o ponto de vista financeiro, a união envolve US$ 81 bilhões em patrimônio da WBD e US$ 110 bilhões em valor empresarial, considerando as dívidas.

A corrida contra o relógio… E contra os processos

A aprovação da FCC e o sinal verde anterior do Departamento de Justiça (DOJ) significam que a Paramount já cumpriu as etapas regulatórias federais.

No entanto, a coalizão de estados liderada pelo Procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, mantém a fusão suspensa temporariamente por vias judiciais. Caso não haja um acordo antes disso, o julgamento oficial está marcado para 2 de março de 2027.

As negociações de bastidores para evitar o tribunal entraram em ritmo crítico. Para tentar destravar o negócio e pacificar os estados, a Paramount mudou de estratégia: em vez de vender a CNN (como sugerido anteriormente), a empresa agora discute concessões estruturais menores, como manter a operação independente da CNN sob monitoramento, garantir cotas mínimas de lançamentos de filmes nos cinemas e até mesmo operar os estúdios separadamente por um período inicial.

O relógio é o pior inimigo da Paramount: pelo contrato com a Warner Bros. Discovery, caso a aquisição não fosse concluída até 30 de setembro de 2026, uma taxa adicional (“ticking fee”) estimada em US$ 7 milhões por dia começaria a incidir cumulativamente em favor dos acionistas da WBD.

É por isso que a pressão para um acordo definitivo aumentou drasticamente na última semana.

Enfim, a FCC tirou uma porta trancada do caminho, mas Batman e Bob Esponja continuam esperando o desfecho das negociações estaduais para saber se finalmente vão assinar o contrato de aluguel.

 

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