Há vozes que dispensam apresentação. Basta ouvir uma única frase para voltar imediatamente à infância, às tardes em frente à televisão e aos personagens que ajudaram a formar o imaginário de milhões de brasileiros.

Pois é… Neste sábado (27), a dublagem nacional se despediu de um desses talentos. Figueira Júnior, ator, locutor e diretor de dublagem, morreu aos 60 anos, deixando uma carreira de quase quatro décadas e uma coleção de personagens que marcaram gerações. Entre eles está aquele que talvez tenha sido seu papel mais inesquecível: o Androide 17, de Dragon Ball.

A notícia foi confirmada por familiares e repercutida por colegas de profissão, emocionando fãs e profissionais da dublagem em todo o país.

Quando uma voz se torna parte da nossa memória

Nem sempre lembramos o nome de quem está atrás do microfone. Mas basta ouvir a voz para reconhecer imediatamente um personagem.

Foi exatamente isso que Figueira Júnior construiu ao longo de sua carreira. Seu trabalho atravessou desenhos, filmes, séries e animações, tornando-se parte da memória afetiva de milhares de brasileiros.

Muito além do Androide 17, ele deu vida a protagonistas, heróis, personagens cômicos e figuras marcantes da cultura pop, ajudando a consolidar a excelência da dublagem brasileira.

Dos primeiros estúdios aos personagens inesquecíveis

Figueira Júnior nasceu em 1966 e iniciou sua trajetória na dublagem no fim da década de 1980, quando ingressou como estagiário no tradicional estúdio Álamo.

Assim, o que começou com pequenas participações rapidamente se transformou em uma carreira sólida. Ao longo dos anos, tornou-se um dos profissionais mais respeitados da dublagem paulista, reconhecido pela versatilidade diante do microfone e pelo cuidado na direção de produções.

Além de atuar como dublador, também trabalhou como diretor de dublagem nos estúdios Clone e Studio Gábia, contribuindo para a formação e orientação de novos profissionais.

A paixão pela profissão também seguia em família: Figueira era tio do dublador Daniel Figueira, conhecido por interpretar Tanjiro Kamado na versão brasileira de Demon Slayer.

Relembre sua trajetória

Ao longo de quase quarenta anos de carreira, Figueira Júnior participou de dezenas de produções que marcaram diferentes gerações. Relembre alguns de seus trabalhos mais conhecidos:

  • Final dos anos 1980 — Primeiros trabalhos na Álamo: iniciou a carreira realizando pequenas participações em séries e animações, dando os primeiros passos na profissão.
  • Década de 1990 — Robin (Superman: The Animated Series): emprestou sua voz ao parceiro do Homem-Morcego nas animações produzidas pela DC.
  • 1999 — Fry (Futurama): passou a dublar Philip J. Fry, protagonista da animação criada por Matt Groening, papel que se tornou um dos mais queridos de sua carreira.
  • Anos 2000 — Jim Levenstein (American Pie): foi a voz brasileira do personagem interpretado por Jason Biggs em diversos filmes da franquia de comédia.
  • Anos 2000 — Guindo (Bob, o Construtor): deu voz ao simpático guindaste azul na famosa animação infantil britânica.
  • 2003 — Shadi (Yu-Gi-Oh!):dublou o guardião dos Itens do Milênio na fase clássica do popular anime de cartas. 
  • 2005 — Kain (Fullmetal Alchemist): interpretou o personagem Kain Fuery na primeira versão para a TV do aclamado anime.
  • 2006 — Queen de Mandrágora (Os Cavaleiros do Zodíaco): deu voz ao Espectro de Hades durante a dublagem da icônica Saga de Hades (Fase Santuário).
  • Dragon Ball Z, Dragon Ball GT e Dragon Ball Super — Androide 17: seu trabalho como a voz brasileira do Androide 17 tornou-se um dos papéis mais emblemáticos da dublagem nacional, acompanhando diferentes fases da franquia criada por Akira Toriyama.
  • Anos 2010 e 2020 — Diretor de dublagem: além de continuar atuando diante do microfone, dedicou-se à direção de dublagem, orientando elencos e contribuindo para novas produções brasileiras.

Sobre a morte

A causa oficial da morte de Figueira Júnior não foi divulgada pela família ou por representantes.

Em uma homenagem publicada nas redes sociais, a dubladora Tânia Gaidarji, voz da Bulma em Dragon Ball, contou que o amigo realizava tratamento para problemas cardíacos e que havia iniciado recentemente uma nova medicação.

Ela também relatou que esteve com ele poucos dias antes do falecimento e que ele demonstrava entusiasmo com o tratamento.

Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que essa condição tenha relação com sua morte.

Uma voz que continuará ecoando

Enfim, os grandes heróis dos animes costumam ser lembrados por seus golpes, frases de efeito e batalhas inesquecíveis. Mas, para os fãs brasileiros, eles também carregam algo igualmente importante: uma voz.

Dessa forma, Figueira Júnior ajudou a transformar personagens em companheiros de infância. Fez rir, emocionar e vibrar diante da televisão por quase quatro décadas.

Seu trabalho continuará vivo cada vez que alguém revisitar Dragon Ball, Futurama ou qualquer outra produção que teve o privilégio de contar com seu talento.

Algumas vozes não desaparecem quando o microfone se cala; elas encontram um lugar definitivo na memória de quem cresceu ouvindo cada uma de suas interpretações.

 

Quer saber mais novidades sobre animes? Então, clique aqui.

Conheça nosso canal no YouTube: