Quem cresceu nos anos 1980 certamente se lembra da família Tanner tentando levar uma vida normal enquanto dividia a casa com um visitante nada convencional vindo do planeta Melmac.
E, no centro daquela rotina maluca, estava Kate Tanner, personagem que ajudou a transformar ALF: O ETeimoso em um dos seriados mais queridos da televisão.
Foi justamente esse equilíbrio entre paciência, firmeza e bom humor que transformou Anne Schedeen em um dos rostos mais queridos da televisão dos anos 1980.
A atriz, eternizada por interpretar a matriarca da família Tanner em ALF: O ETeimoso, morreu aos 77 anos neste último dia 14, deixando para trás uma carreira de quatro décadas e uma legião de fãs que cresceram acompanhando as aventuras do alienígena mais inconveniente da cultura pop.
Embora tenha participado de dezenas de produções, foi em ALF que Anne encontrou seu lugar definitivo na memória afetiva de milhões de pessoas.
Das fazendas do Oregon para Hollywood

Anne Schedeen nasceu como Luanne Ruth Schedeen, em 8 de janeiro de 1949, em Portland, no estado do Oregon, nos Estados Unidos.
Criada em uma fazenda próxima à cidade de Gresham, era uma criança extremamente tímida. Foi justamente por isso que sua mãe a colocou em aulas de teatro ainda pequena, numa tentativa de ajudá-la a se expressar melhor.
Pois é… A estratégia deu certo.
Anne estudou no Portland Civic Theatre e, após passar pela universidade, começou a trabalhar em um teatro no Havaí. Mais tarde, mudou-se para Nova York em busca do sonho de se tornar atriz profissional.
Sendo assim, no início da década de 1970, assinou contrato com a Universal e começou a aparecer em diversas séries de televisão, construindo uma carreira sólida que culminaria em seu maior sucesso alguns anos depois.
A mulher que colocou ordem em ALF

Em 1986, Anne Schedeen foi escolhida para interpretar Kate Tanner, a mãe da família que decide abrigar um extraterrestre vindo do planeta Melmac.
DEssa forma, o que poderia ter sido apenas mais uma sitcom acabou se tornando um fenômeno mundial.
Ao longo de quatro temporadas e mais de 100 episódios, Kate Tanner foi a voz da razão em meio às trapalhadas de ALF, Willie, Brian e Lynn. Sua química com o elenco e sua presença acolhedora ajudaram a transformar a série em um clássico que atravessou gerações.
Décadas depois, para muitos fãs, Anne continuou sendo simplesmente “a mãe do ALF” e isso sempre foi motivo de orgulho.
Relembre sua trajetória
- 1974 — Emergency!: deu vida a Carol, um de seus primeiros trabalhos recorrentes na televisão. Carol aparecia em diversos episódios do drama médico, ajudando a consolidar Anne como um rosto familiar da TV americana.
- 1974–1976 — Marcus Welby, M.D.: Interpretou Sandy Porter, a filha do protagonista em vários episódios da série médica estrelada por Robert Young, ampliando sua visibilidade em Hollywood.
- 1976 — Embryo: No suspense de ficção científica estrelado por Rock Hudson, viveu a Helen Holliston, nora do médico responsável por experimentos genéticos que saem do controle.
- 1978–1982 — Three’s Company (Um é Pouco, Dois é Bom e Três é Demais): viveu Linda, Louise Prescott e Lisa Page, participações recorrentes em uma das comédias mais populares da televisão americana.
- 1984 — Paper Dolls: interpretou Sara Frank, uma advogada na série dramática ambientada no mundo da moda, um dos papéis mais importantes de sua carreira antes de ALF.
- 1984 — Cheers: fez Emily Phillips, em participação especial em uma das sitcoms mais premiadas da história da televisão.
- 1986 — Magnum, P.I.: Apareceu em um episódio da série estrelada por Tom Selleck no papel de Audrey Gilbert.
- 1986 — Murder, She Wrote (Assassinato por Escrito): Participação em outro grande clássico da televisão americana como Julia Granger.
- 1986–1990 — ALF: viveu Kate Tanner, seu papel mais famoso. Kate era a mãe da família Tanner, responsável por tentar manter a normalidade enquanto escondia o alienígena ALF do resto do mundo. Sua atuação em 102 episódios transformou a personagem em um dos rostos mais queridos da TV dos anos 1980.
- 1991 — Perry Mason: The Case of the Maligned Mobster: Participação no universo do lendário advogado Perry Mason, fazendo o papel de Paula Barrett.
- 2001 — Judging Amy: interpretou a detetive Peggy Fraser, um de seus últimos trabalhos recorrentes na televisão, interpretando uma detetive em três episódios da série.
Uma carreira construída com carinho e discrição
Ao contrário de muitos nomes de Hollywood, Anne Schedeen sempre preferiu uma vida discreta.
Mesmo após o sucesso de ALF, continuou trabalhando em papéis menores e dedicando mais tempo à família, aos projetos artísticos e às causas sociais. Também era conhecida pelo amor aos animais e pela paixão por artesanato, pintura e escultura.
Longe das polêmicas e dos holofotes constantes, construiu uma trajetória marcada pelo profissionalismo e pela simplicidade.
O planeta Melmac perdeu uma de suas guardiãs
Para muita gente, ALF era a estrela.
Mas quem acompanhou a série sabe que boa parte do coração daquela família vinha justamente de Kate Tanner.
Anne Schedeen ajudou a transformar uma premissa absurda: uma família escondendo um alienígena sarcástico dentro de casa em algo acolhedor, divertido e inesquecível.
Agora, aos 77 anos, ela se despede. Mas basta ouvir um “Não coma o gato, ALF!” para que uma geração inteira volte instantaneamente para a sala de estar dos Tanner.
E talvez esse seja o maior superpoder de uma atriz: fazer com que, mesmo depois dos créditos finais, a lembrança permaneça viva.
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