O cantor norte-americano Peabo Bryson, dono de uma das vozes mais marcantes da música romântica e responsável por alguns dos maiores clássicos da Disney dos anos 1990, morreu aos 75 anos.
Segundo informações divulgadas por sua família, o artista faleceu neste último dia 2 de junho, cercado por familiares, poucos dias após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral).
Para muitos fãs, o nome talvez não seja imediatamente reconhecido. Mas basta ouvir os primeiros versos de A Bela e a Fera ou A Whole New World para que a memória faça o resto do trabalho.
Afinal, estamos falando de uma voz que ajudou a embalar algumas das histórias mais amadas da cultura pop.
Antes dos castelos da Disney, havia o soul

Nascido como Robert Peapo Bryson em 13 de abril de 1951, na cidade de Greenville, Carolina do Sul, Peabo cresceu cercado pela música. Ainda adolescente, já cantava em grupos locais e começou sua trajetória profissional aos 14 anos como vocalista de apoio de bandas da região.
Pouco tempo depois, passou a excursionar pelo circuito musical do sul dos Estados Unidos, desenvolvendo o estilo que o transformaria em um dos grandes nomes do R&B romântico.
Sua carreira solo começou oficialmente em 1976, quando lançou seus primeiros trabalhos autorais. Ao longo dos anos seguintes, construiu uma reputação sólida graças à combinação de técnica vocal refinada, interpretações emocionantes e uma impressionante capacidade para duetos.
Muito antes de encontrar princesas, feras, tapetes mágicos ou gênios azuis, Peabo já era respeitado no universo da música soul.
O rei dos duetos
Se existe uma característica que definiu a carreira de Peabo Bryson, foi sua capacidade de dividir o microfone sem jamais perder o brilho.
Ao longo das décadas, ele gravou ao lado de artistas como Roberta Flack, Natalie Cole, Regina Belle, Kenny G, Whitney Houston e Céline Dion.
Seu timbre suave e poderoso transformou-o em uma espécie de especialista em canções românticas.
Não demorou para que Hollywood percebesse isso. E foi justamente aí que nasceu o capítulo mais conhecido de sua trajetória.
Quando a Disney encontrou sua voz perfeita
No início da década de 1990, a Disney vivia o período que muitos fãs chamam de Renascimento Disney.
Foi nesse contexto que Peabo Bryson gravou, ao lado de Céline Dion, a canção-tema de A Bela e a Fera (Beauty and the Beast). O resultado foi um fenômeno mundial, vencedor do Grammy e eternizado como uma das músicas mais icônicas da animação. Relembre essa maravilhosa canção aqui:
Mas o melhor ainda estava por vir.
Em 1992, Bryson se uniu a Regina Belle para interpretar A Whole New World, tema de Aladdin. A música conquistou o Oscar, o Grammy e ainda alcançou o primeiro lugar da Billboard Hot 100: algo raríssimo para uma canção originada de uma animação.
De repente, a voz que já era respeitada pelos fãs de soul passou a fazer parte da infância de milhões de pessoas ao redor do planeta.
Relembre sua trajetória: os principais trabalhos de Peabo Bryson
- 1976 — Peabo: Seu álbum de estreia deu início a uma carreira que atravessaria cinco décadas.
- 1983 — Tonight, I Celebrate My Love (com Roberta Flack): Um dos duetos românticos mais famosos dos anos 1980 e um dos marcos de sua carreira.
- 1984 — If Ever You’re in My Arms Again: Canção que consolidou seu nome entre os grandes intérpretes românticos da década.
- 1991 — Beauty and the Beast (com Céline Dion): A música de A Bela e a Fera transformou Bryson em uma voz familiar para o público da Disney.
- 1992 — A Whole New World (com Regina Belle): O tema de Aladdin tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira e entrou para a história da música.
- 1994 — Can You Stop the Rain: Um dos maiores sucessos de sua fase adulta contemporânea.
- 1997 — As Long As There’s Christmas (com Roberta Flack): Canção do universo Disney ligada a A Bela e a Fera: O Natal Encantado.
Um legado que atravessou gerações
Nem todo artista tem a sorte de participar de momentos que ficam gravados para sempre na memória coletiva, mas Peabo Bryson teve.
Sua voz acompanhou declarações de amor, casamentos, noites românticas, sessões de cinema em família e a infância de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo.
Enquanto muitos cantores se tornaram famosos por um único sucesso, Bryson construiu algo mais duradouro: uma carreira baseada em emoção, elegância e autenticidade.
E talvez essa seja a maior prova de seu talento.
Porque, décadas depois de seu auge, basta ouvir algumas notas de A Whole New World ou Beauty and the Beast para que a magia aconteça novamente.
O mundo ficou um pouco mais silencioso nesta semana, mas algumas vozes simplesmente se recusam a desaparecer. Essa não desaparecerá.
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