Na Literatura | O Menino do Dedo Verde
Recentemente li a obra O Menino do Dedo Verde (título original: Tistou les pouces verts), de Maurice Druon, publicada pela primeira vez em 1957 na França.

Trata-se de um livro infantojuvenil que não tive a oportunidade de ler na idade indicada, mas que chegou até mim por meio de uma doação para minha biblioteca comunitária — o que considerei uma grande sorte.
A história narra a trajetória de Tistu, um menino que descobre ter um dom especial: por onde toca, flores nascem. Com esse poder, ele transforma espaços marcados pela dor e pela tristeza, levando beleza e esperança.
Foi uma leitura que me arrebatou. Percebi que é um livro para todas as idades, capaz de nos tocar de maneiras diferentes ao longo da vida.
O tradutor Marcos Barbosa compara essa obra a O Pequeno Príncipe. Embora essa seja uma obra muito celebrada e com razão, sinto que O Menino do Dedo Verde merece mais visibilidade, pois nos entrega valores profundos como cuidado, empatia e a importância de se doar ao outro.
Gostaria que Tistu e seus valores permanecessem em nossa memória, e que sua história fosse revisitada com o carinho que merece. Ela nos traz esperança e nos lembra do que realmente importa.
Tistu é um garoto diferente: questionador e sensível. Sua mãe decide que apenas o ensino em casa não é suficiente, e ele é enviado à escola mas não se adapta àquele modelo tradicional.
Aqui, o autor faz críticas muito interessantes ao sistema de ensino, que, em muitos aspectos, continuam atuais.
Diante disso, seu pai opta por uma educação baseada na experiência. Tistu passa a aprender com diferentes pessoas: o jardineiro, o delegado, o médico. Cada encontro amplia sua visão de mundo.
Ao se deparar com as dificuldades da realidade, ele não perde sua sensibilidade ao contrário, é justamente isso que o leva a descobrir e usar seu dom.

Separei algumas frases que me marcaram durante a leitura:
“Em que você está pensando, Tistu? – perguntou-lhe um dia Dona Mamãe.
Tistu respondeu: – Estou pensando que o mundo podia ser bem melhor do que é.”
“Tistu pôs o chapéu de palha para ir à aula de jardim. O Senhor Papai havia julgado melhor começar por aí. Uma lição de jardim é uma lição de terra, essa terra que caminhamos, que produz os legumes que comemos e o capim com que os animais se alimentam.”
“Aprendi que a medicina não pode quase nada contra um coração muito triste. Aprendi que para a gente sarar é preciso ter vontade de viver. Doutor, será que não existem pílulas de esperança?”
E, por fim, deixo um convite: não fique bravo comigo se você ama O Pequeno Príncipe na minha biblioteca, ele também tem um lugar especial.
Mas permita-se ir além. Olhe para dentro de você e encontre valores como os de Tistu.
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