
| Desenvolvido por: KOEI TECMO GAMES |
|---|
| Publicado por: KOEI TECMO GAMES |
| Gênero::JRPG |
| Série:Atelier |
| Lançamento: 12 de novembro |
| Classificação indicativa: 14 anos |
| Modos: um jogador |
| Disponível para: PS5, PS4, Switch, Switch 2 e PC. |
Esta análise só foi possível graças ao envio antecipado de uma cópia pela Koei Tecmo, com o objetivo de viabilizar a produção de conteúdo. Nosso agradecimento AdHoc Studio pelo apoio!
História
A Atelier Ryza Secret Trilogy é uma jornada que não tenta ser épica nem grandiosa, mas acaba se tornando especial justamente por isso. Ela acompanha a vida da Reisalin Stout, a Ryza, desde seus primeiros passos curiosos em Kurken Island até sua fase adulta, já mais experiente, confiante e determinada. A trilogia funciona como um arco contínuo, quase como acompanhar uma amiga crescer ao longo de três capítulos importantes da vida dela.

No primeiro jogo, o foco é a descoberta. Ryza ainda é uma garota inquieta, cansada da rotina pacata da ilha e querendo algo mais. A história gira em torno desse impulso juvenil de explorar o mundo, conhecer novos lugares e, principalmente, aprender alquimia. É simples, leve, quase inocente, mas funciona porque o jogo captura bem aquele espírito de primeira aventura, cheio de deslizes, aprendizados e laços que começam a se fortalecer. Não é sobre vilões megalomaníacos ou tragédias gigantes, e sim sobre encontrar seu lugar no mundo.
O segundo jogo aprofunda esse crescimento. Aqui, a Ryza já não é mais uma iniciante. Ela tem responsabilidades, tem amigos que trilham seus próprios caminhos e começa a entender melhor o peso de suas escolhas. A descoberta de ruínas antigas, a relação com Fi e o reencontro com personagens queridos trazem um tom mais emocional para a narrativa. A trilogia, nesse ponto, sai da leveza infantil e abraça uma maturidade bem equilibrada, sem perder o charme do cotidiano que faz Atelier ser Atelier.

O terceiro jogo é praticamente uma despedida. Ele fecha ciclos, responde perguntas que acompanharam a série desde o começo e mostra uma Ryza muito mais centrada. A trama das distorções e das portas misteriosas funciona como metáfora para as transições da vida adulta. O grupo inteiro já parece mais maduro, mais seguro e mais consciente do próprio valor, e isso dá um peso emocional que surpreende quem acompanha desde o início. Mesmo sem grandes reviravoltas, é um desfecho sincero, acolhedor e que entrega exatamente o que precisa entregar. A trilogia Secret é, no fim, uma história sobre crescer, errar, aprender e seguir em frente e é isso que faz dela tão especial.
Jogabilidade
A jogabilidade da trilogia Secret muda o suficiente em cada jogo para sempre parecer familiar, mas nunca repetitiva. O combate é híbrido, misturando turnos com um toque de ação rápida. Você dá comandos, mas também reage em tempo real, usa habilidades com timing e monta combos eficientes. Isso deixa as batalhas dinâmicas e menos engessadas do que nos JRPGs tradicionais. O avanço entre os jogos é bem perceptível. No primeiro, o sistema ainda é meio travado em alguns momentos. No segundo, tudo fica mais fluido e interessante, com mais sinergias entre personagens. No terceiro, o combate finalmente chega em um ponto onde tudo parece encaixar direitinho.

A exploração também evolui bastante. No primeiro jogo você sente que as áreas são mais contidas, meio segmentadas. No segundo, já existem mapas maiores e mais variados. No terceiro, a Gust aposta numa abordagem quase open area, com grandes regiões conectadas que incentivam você a explorar, coletar materiais e descobrir segredos escondidos. A sensação de mundo vivo cresce bastante ao longo da trilogia.
Mas o verdadeiro coração da jogabilidade continua sendo a alquimia. Criar itens não é algo opcional, é a espinha dorsal de tudo. A forma como você monta receitas, combina materiais e tenta extrair o máximo de cada recurso é o que dá profundidade ao sistema. A alquimia funciona como um quebra-cabeça viciante que a trilogia refina a cada jogo. No primeiro, é simples e acessível. No segundo, ganha mais camadas, com rotas alternativas e melhorias mais claras. No terceiro, vira um sistema robusto, com opções para otimizar cada detalhe do item. Quem gosta desse tipo de crafting estratégico vai se sentir em casa.
Progressão
A progressão na trilogia Secret é do tipo que te recompensa o tempo todo. Evoluir personagens é importante, claro, mas a alquimia é quem guia seu poder narrativo e mecânico. Cada novo item desbloqueado abre portas, fortalece o grupo e muda completamente como você encara os desafios. A sensação de domínio é deliciosa. Você começa criando poções simples, depois passa a montar armas poderosas, até chegar ao ponto de produzir equipamentos completamente insanos que praticamente redefinem suas batalhas.

Além disso, a progressão narrativa acompanha muito bem esse crescimento. A Ryza não fica forte do nada. Ela aprende, erra, insiste, se frustra e melhora. Tudo tem ritmo, tudo tem peso. A trilogia também evolui em termos de estrutura. O primeiro jogo é mais linear. O segundo é mais equilibrado entre história e exploração. O terceiro abre o mundo e te dá liberdade real para seguir o que quiser. Isso cria uma progressão natural que faz cada jogo parecer um passo para frente dentro de um mesmo caminho.
Aspectos técnicos e artísticos
A Gust sempre teve um estilo bem próprio e a trilogia Secret é provavelmente o auge dessa identidade visual. Os jogos são coloridos, vibrantes e têm um charme que parece pintura viva. Os modelos dos personagens são expressivos e muito bem animados, principalmente nos detalhes que envolvem gestos e expressões faciais. A Ryza, em especial, tem um design icônico que praticamente virou símbolo moderno da franquia.

Os cenários são variados e bem cuidados, com paletas de cores que mudam conforme a atmosfera de cada região. No segundo e no terceiro jogo, você percebe mais ambição na direção artística, com ambientes mais amplos, detalhes mais caprichados e vistas bem mais bonitas.
No lado técnico, a trilogia ainda carrega aquele DNA clássico da Gust. Existem quedas de frame rate, texturas simplificadas, modelos secundários menos detalhados e um ou outro bug visual. Nada chega a quebrar a experiência, mas fica claro que o orçamento nunca foi gigantesco. O áudio, por outro lado, é impecável. A trilha sonora é leve, alegre e muitas vezes relaxante. Cada música encaixa perfeitamente com a proposta de aventura acolhedora. As dublagens também são muito bem feitas, dando vida e personalidade ao elenco.
Atelier Ryza Secret Trilogy: Vale a pena jogar?
A Atelier Ryza Secret Trilogy vale muito a pena, especialmente para quem busca uma experiência mais leve, aconchegante e focada em personagens. É uma trilogia que não tenta competir com grandes JRPGs em escala, mas supera muitos deles em carisma, coração e consistência. Ela oferece boas histórias, sistemas sólidos, evolução natural e um mundo belíssimo que dá vontade de revisitar. Quem gosta de crafting profundo, combate gostoso e aquela sensação de progresso constante vai aproveitar demais.
Se você procura narrativas épicas, confrontos super desafiadores ou mundos massivos, talvez não seja o que espera. Mas se a ideia é relaxar, mergulhar em um universo acolhedor e acompanhar o crescimento de uma protagonista extremamente carismática, a trilogia da Ryza é uma das melhores escolhas que a franquia Atelier já entregou. É fácil recomendar, fácil gostar e difícil não se apegar.







