Enshrouded | Confira nossa preview

Enshrouded

Enshrouded é um daqueles jogos que te pegam de surpresa. À primeira vista, ele parece só mais um survival com construção, exploração e combate. Mas depois de algumas horas, dá pra perceber que existe algo bem mais interessante escondido debaixo da poeira e da névoa.

História

A história começa de forma misteriosa. Você desperta como um “Flameborn”, uma espécie de ser renascido em um mundo que foi praticamente engolido por uma névoa mortal chamada Shroud. Essa névoa é o resultado da ganância dos antigos povos, que tentaram dominar um poder que acabou destruindo tudo. O objetivo é reconstruir o que restou e descobrir o que realmente aconteceu.

A ambientação é excelente. Cada ruína, caverna e cidade abandonada conta um pedacinho da história perdida daquele mundo. O problema é que o enredo não é exatamente guiado. Ele acontece de maneira fragmentada, através de livros, anotações e pistas deixadas pelos antigos habitantes. É uma narrativa que recompensa a curiosidade, mas pode frustrar quem espera algo mais cinematográfico e direto.

Jogabilidade

O coração de Enshrouded é sua mistura de exploração, combate e construção. Você pode vagar por um mundo enorme e bonito, escalar montanhas, cruzar florestas, construir bases e enfrentar criaturas corrompidas pela névoa. A sensação de liberdade é enorme e a progressão é bem natural.

O sistema de construção é um dos grandes destaques. Ele é totalmente baseado em blocos, mas de uma forma fluida e criativa. É fácil montar casas, castelos ou vilarejos inteiros e o jogo dá ferramentas suficientes pra deixar tudo do seu jeito. Dá pra perder horas só decorando e testando combinações de materiais.

O combate mistura armas corpo a corpo, arco e flecha e magia. Não é tão profundo quanto um RPG focado em ação, mas tem variedade e um bom ritmo. As árvores de habilidades permitem que você crie diferentes estilos de personagem, como guerreiro, mago ou arqueiro. O sistema de esquiva e parry funciona bem e deixa as lutas com chefes bem intensas.

Um detalhe interessante é a Mortalha. Algumas áreas do mapa são cobertas por essa névoa e você precisa de um tempo limitado para explorá-las. Isso cria um senso de urgência que te faz planejar cada incursão, já que ficar tempo demais dentro dela significa morte certa.

Sistemas de progressão

A progressão em Enshrouded é bem equilibrada. O jogo te incentiva a explorar, coletar recursos e melhorar seu acampamento, mas sem te punir por experimentar. Os NPCs que você encontra pelo caminho oferecem novas receitas, ferramentas e equipamentos, o que dá um bom ritmo de avanço.

O sistema de crafting é completo, mas não excessivo. Tudo tem um propósito, e há um bom equilíbrio entre exploração, combate e construção. Com o tempo, você vai sentindo que o mundo reage às suas ações e isso dá uma sensação constante de evolução.

Aspectos técnicos e artísticos

Visualmente, o jogo é lindo. As paisagens são vastas e cheias de detalhes, e a iluminação faz um trabalho incrível em criar atmosferas diferentes para cada região. As ruínas cobertas por névoa, os campos dourados ao pôr do sol e as montanhas geladas são de encher os olhos. A trilha sonora é discreta, mas eficiente, acompanhando bem o clima melancólico e solitário do mundo.

O desempenho, no entanto, ainda precisa de otimizações. Em alguns momentos há quedas de taxa de quadros e pequenos bugs de colisão, especialmente em áreas mais densas. Nada que estrague a experiência, mas são pontos que ainda podem ser polidos.

Vale a pena jogar?

Enshrouded é um dos jogos de sobrevivência mais interessantes dos últimos anos. Ele pega ideias conhecidas e as mistura de uma forma que soa fresca e envolvente. Tem liberdade, um mundo bonito e sistemas profundos o suficiente pra te manter jogando por dezenas de horas.

Se você curte construir, explorar e se perder em mundos misteriosos, Enshrouded é uma escolha excelente. Mas se o que você procura é uma narrativa linear ou combates ultra refinados, talvez ele não te prenda tanto.

No fim, Enshrouded é sobre reconstruir um mundo e, de certa forma, sobre reconstruir a si mesmo dentro dele. Um jogo que começa pequeno e silencioso, mas que vai crescendo até te envolver completamente.