A Comic Con Experience 2024 (CCXP24) foi, como sempre, um evento gigantesco de cultura pop — mas nesta edição, percebem-se nuances que vão além dos painéis com grandes estrelas internacionais. Entre homenagens, estreias nacionais e ambições de espaços cada vez mais imersivos, a convenção mostrou tanto seu poder de mobilização quanto os limites que precisam ser ajustados. Vem comigo nos destaques.

Programação, local e esquema
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A CCXP24 ocorreu entre 5 e 8 de dezembro de 2024, no São Paulo Expo. Já a Spoiler Night rolou dia 4, com convidados, imprensa e quem comprou passes especiais como o Unlock CCXP e Epic Pass.
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O espaço usado foi amplo: cerca de 115.000 m², com mais de 120 marcas presentes. Foram usados 11 espaços temáticos diferentes (palcos, arenas, exposições). A proposta de otimização de circulação e conforto foi mencionada pelos organizadores como parte das melhorias para acomodar esse crescimento.
A valorização do audiovisual nacional
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Um dos pontos mais fortes da edição foi a presença massiva da produção brasileira: lançamentos como “O Auto da Compadecida 2”, “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa”, além de séries e realities do Globoplay como Vermelho Sangue, Guerreiros do Sol, Túnel do Amor, entre outros.
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A Globo fez bonito: ocupou um estande de 1.000 m², preparou ativações para suas principais apostas de 2025, celebrou seus 100 anos e trouxe painéis com elenco divulgado para séries e novelas como Vale Tudo, Vermelho Sangue, etc.
Convidados internacionais & atrações globais
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Houveram vários nomes gringos de peso: Anya Taylor-Joy, Adam Scott, Sandra Oh, Miles Teller, entre outros, confirmados para painéis, sessões de autógrafos e aparições nos palcos principais.
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A Warner Bros Discovery marcou presença forte, com estandes interativos, loja de produtos oficiais, e pré-estreias importantes como de O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim. Também houve lançamentos prévios e spoilers de próximas produções.
Inovações de estrutura e novos palcos
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Novos espaços foram criados: o Palco Universe, focado especialmente em conteúdos do Leste Asiático, com cenografia que trouxe uma “cidade antiga de Manlar” como imersão, além do Palco Omni, que sediou workshops e masterclasses de quadrinhos e colecionáveis.
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O Artists’ Valley se destacou mais uma vez, reunindo centenas de artistas independentes, quadrinistas, ilustradores, mostrando que existe um interesse e um mercado crescente para produções menores, autorais.
Cosplay, comunidade e engajamento
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O Concurso Cosplay Master teve 12 finalistas definidos após votação online nacional. O prêmio máximo: R$ 60.000 + um par de ingressos Epic Experience para a CCXP25. As categorias avaliadas incluíram inventividade, figurino, performance, destaque geral.
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Na reta final do evento, mais de 50 cosplayers do Homem-Aranha fizeram uma “passeata” — parte de grupos de fãs do Aranhaverso, mostrando como cosplay não é só fantasia, é expressão, pertencimento.
Recordes, números e compromissos
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O público total foi de 287 mil visitantes durante os quatro dias.
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Participação de 120 marcas, número recorde, ocupando os espaços já mencionados.
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Também houve crescimento nas sessões de fotos e autógrafos: mais de 7 mil sessões (pagas e gratuitas) envolvidas com convidados e criadores de conteúdo.
Pontos de tensão: o que funcionou menos bem
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Filas longas, especialmente para fotos, brindes ou autógrafos, foram uma reclamação constante do público (o que se tornou algo comum em eventos de grande porte).
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Alguns visitantes sentiram que, apesar da grandiosidade, faltou um pouco de “conteúdo geek de nicho”: painéis menores com temas mais alternativos, quadrinhos menos mainstream ou acessos mais democráticos. Em outras palavras, muitos espaços acrescidos, mas também mais dispersão de foco.
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Os preços (ingressos, alimentação, merch) foram criticados como elevados por muitos, especialmente considerando o deslocamento, o valor de conveniência (transporte, comida dentro do evento) e o tempo com filas.
A magia que fez valer a pena
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Momentos de pura emoção: a homenagem a Wagner Moura, que lotou o Palco Thunder, foi muito comentada. Ele foi celebrado não apenas por sua carreira em produções internacionais, mas como figura central do audiovisual nacional.
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Os fãs de animação, dublagem e tendências asiáticas tiveram espaço (graças ao Universe e as presenças de animadores e produtores de animes), o que reforça que o público nerd/hype não é homogêneo: ele quer variedade.
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O visual, as ativações interativas, os estandes de marcas grandes, os lançamentos antecipados — tudo isso proporciona um efeito de espetáculo que, para muitos, compensa o investimento emocional e financeiro.
Olhando para frente
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A CCXP já confirmou as datas de 2025: de 4 a 7 de dezembro, no mesmo local.
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Há expectativas altas de que mantenham o equilíbrio entre atrações globais bombásticas e produções nacionais de qualidade.
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Também há espaço para ajustes estruturais: aliviar filas, melhorar layout para circulação, mais transparência sobre programação curta/nicho, políticas de preço mais justas para alimentação, merch e experiências extras.
Conclusão
A CCXP24 foi, sem sombra de dúvida, uma edição memorável. Ela reafirmou algo que muitos já sabem: quando o evento acerta na combinação entre cultura pop global e produções nacionais fortes, ele toca no que realmente importa pro público. Mesmo com os perrengues — que sempre existem — a convenção entregou momentos de catarse, pertencimento e celebração.
Se você foi, trouxe pra casa (fisicamente ou emocionalmente) algo que valeu. Se não foi, já pode se preparar: 2025 promete ainda mais, se a organização mantiver a ambição e ouvir o que o público cobra.







